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Pois a vida tem sentido

Num rio metrificado

 

por Alexandre Ramos

 

Em Janeiro de 2014 foi lançado o livro “O rio que não passa”,  resultado de uma pesquisa em história oral com poetas do Pajeú. Em seu vale, rio e poesia se unem e, descendo o Pajeú, os corações batem no ritmo da métrica. Talvez seja um caso bem singular onde a população se identifica a partir do vale de um rio, revelando a força do território, da poesia e da relação entre ambos e ainda destacam para os que chegam: “bebendo da água daqui, serás contaminado pela poesia”.  Assim estes operários da métrica, soldados da rima, monges da palavra, advogados de uma estética pajeúnica, constroem permanentemente um sentido de civilização. E neste território mítico, sol e chuva, natureza e sociedade se envolvem com um complexo sistema de relações sociais e se transfigura em poética.

Tais impressões estão descritas no capítulo de introdução do livro cujo título é o mote dessa corda virtual.

 

A poesia é a teia

Que tece essa linhagem

No Pajeú é voragem

Que consome e enleia

É o facho que norteia

Esse torrão ressecado

De verso abençoado

E pela água benzido

Pois a vida tem sentido

Num rio metrificado

 

Mote de Alexandre Ramos e glosa de Cida Pedrosa

 

Dando continuidade, convocamos vocês poetas, cordelistas e cantadores, desde que compreendam as regras da poesia popular, para glosarem o mote.

Envie sua participação para:

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Ésio Rafael [Sertânia City/Recife, 25/06/14]

Guardador de etnias
Provedor dos kariris
Das meigas musas gentis
De inspiradoras porfias
O mentor das cantorias
Do marrano canto alado
Dentro dum mourão Voltado
O céu limita o ouvido
POIS A VIDA TEM SENTIDO
NUM RIO METRIFICADO.

 

Regina Carvalho [13/06/14] 

Enquanto o mundo passeia
No frenesi da linguagem
O cabra que tem coragem
Zabumba e ricocheteia
Dá pernada e escoiceia
Permanecendo sentado
No verso tonitruado
Do mais alto céu caído
Pois a vida tem sentido
Num verso metrificado  

 

Zé Adalberto do Caroço do Juá [09/06/14]

Na cadência da cultura
O Pajeú segue o ritmo
No compasso mais legítimo
Da nossa Literatura
Onde a vida é partitura
De sentimento afinado
Por diapasão criado
Pelo prazer do ouvido
Pois a vida tem sentido
Num rio metrificado.

 

Kerlle de Magalhães [Recife, 09/06/14]

Enchente de poesia,
Toda vez me contagio
Quando eu olho para o rio
Pajeú durante o dia.
Um sinal de maestria
Sai um verso colocado
Nas águas do rio amado
Mesmo assim tão repartido.
Pois a vida tem sentido
Num rio metrificado. 

 

Bastinha Job [Crato/CE, 09/06/14] 

Unidos rio e poesia
ladeando o Pajeú
a rima abre o baú
escancara a fantasia
deságua a alegria
no ritmo cadenciado
sonoriza o seu recado
pra nunca ser poluído:
POIS A VIDA TEM SENTIDO
NUM RIO METRIFICADO

 

 

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Pois a vida tem sentido / Num rio metrificado

Tem muita sombra indo embora / Num caminhão de madeira

Na terra é difícil um ninho / Mas no céu tem de Cancão

São retratos verdadeiros / Das coisas do meu sertão

Só meu casebre pequeno / Papai Noel desconhece

Baixa a face o pranto desce / Ao som da Ave Maria

A natureza tomou / Tudo quanto tinha dado

Dorme junto aos teus pés o meu ciúme / Enjeitado e faminto como um cão

Mergulhei pra ver Narciso / No espelho do meu lago

Quem não pode com o mote / Não pega na redondilha

Essa noite eu retalho o mundo inteiro / Com a peixeira amolada do repente

Perco em luz, minha recusa / Nego ao dia, a noite invado

Dois poetas brigando o povo chora / Com vontade de ouvi-los novamente

Nessa vida de vaqueiro / Todo mundo é carnaval

Vi a porteira do mundo / Entre as pernas da mulher

Coveiro sem esperança / Não sepulte o meu passado

E no visgo do improviso / a peleja é virtual

Demos viva! ao Mestre Vitalino / Que com arte enricou nossa cultura

A marreta da morte é tão pesada / que a pedreira da vida não aguenta

Quero César Leal me abençoando / Pra tornar imortal minha geração

No tereiro da paz Salu descansa / Silencia a rabeca genial

Que na gravura em madeira / Esse Samico é um danado

Amanhã vá no cartório / passar seu cu pro meu nome

Nesta cidade cadela / Chico deixará saudade

Allan Sales x Susana Morais

Pinto do Monteiro x Severino Milanês

Cego Aderaldo x Zé Pretinho dos Tucuns

A peleja entre a Velha do Bambu e o Velho Mangote através da internet

Peleja de Riachão com o Diabo

Ignácio da Catingueira x Romano da Mãe D'água


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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa