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Livrinho de Papel Finíssimo

 

Eva Duarte entrevista
Camilo Maia e Sabrina Carvalho,
da Livrinho de Papel Finíssimo Editora.

 

O que queremos saber é sobre a Livrinho, o caminho que já percorreu até aqui e daqui para onde vamos. Qual é o papel que a Livrinho ocupa hoje no Brasil, nessa cadeia produtiva editorial. Então, como foi que começou tudo isso? Quem estava no princípio?

Sabrina – Na verdade, tem várias histórias do começo da Livrinho. Tem uma história que é Greg (Gregório Vieira), ele fazia fanzines e desenhava as histórias dele e tal, e ele usava o Livrinho de Papel Finíssimo. Aí, a galera começou a andar junta, Greg com Kobla (Henrique Koblitz), com Camilo (Maia), Todé (Diogo Todé), do Laboratório e faziam a Fusão, que é um fanzine. Qual foi a última edição?

Camilo – Foi a 20 e a gente vai fazer agora a revista de 10 anos. Pelo menos Kobla e Greg estão à frente.

Sabrina – Aí, eles organizam a Fusão desde aquela época, né, desde 2004, já que são 10 anos. Em 2006, a galera ganhou uma bolsa do SPA (SPA das Artes do Recife), alugou uma máquina xerox, depois conseguiu uma apoio da galera que alugava a máquina.

Camilo – Não foi a Livrinho que conseguiu a bolsa. Foi a galera do Laboratório de 2006: Todé, Greg e Kobla que ganharam a bolsa do SPA para fazer uma Fusão especial, voltada pro SPA. Fusão SPAcial. Ela ia ser maior, teria uma tiragem um pouco maior. Só pôde fazer isso porque ganhou uma bolsa para alugar uma máquina, ter os papéis e ter a máquina à disposição para fazer a tiragem. A partir desse SPA, é o embrião do que a Livrinho se tornou, porque a Livrinho deixou de ser o nome do selo que lançava as coisas do Laboratório ou quando saía a Fusão de vez em quando ou não, para ser uma inciativa independente do Laboratório. O Laboratório já tinha terminado, mas a Fusão continuava.

Sabrina – E passando também desse momento da autopublicação, porque os meninos, eles eram fanzineiros da Fusão e das coisas deles para também começar a publicar outras pessoas. Foi com essa máquina que teve o lançamento em maio de 2007, teve o lançamento ao mesmo tempo de “Pau no cu da humanidade”, de Clarissa Diniz, Fernando Duarte, Samuca, teve um monte de gente. Nesse dia foi o lançamento da Livrinho nessa história de aproveitar essa máquina para virar uma editora naqueles moldes fanzine, naquele molde guerrilha, mas uma editora. É um corpo editorial que publica

Camilo Em vez da galera fazer um fanzine, que botava várias pessoas no fanzine, que era a Fusão, agora a galera tinha condições com a máquina de manter a máquina e pode lançar vários livros de vários artistas e não um livro só com vários artistas, um fanzine.

Essa primeira leva foi da coleção “Olho de Bolso”?

Sabrina – “Olho de Bolso” foi logo depois disso.

Já tinha um nome para essa primeira leva?

Sabrina – Não. Essa primeira leva foi uma galera que estava a fim de publicar diferente, tipo “Pau no cu da humanidade” era um coletivo da galera de Ciências Sociais, de História. Tinha Clarissa Diniz...

Camilo ...que era o resumo da tese de mestrado dela sobre legitimação de arte, que a galera não tinha publicado ainda apesar dela ter ganhado um edital de publicação. (A versão completa de Crachá foi publicada em seguida pela Massangana)

“Olho de Bolso” foi uma das ideias de Diogo Todé para se fazer uma coleção de bolso da Livrinho. Eram livretos baratos da gente fazer, pequenininhos, práticos e iria ficar muito bonitinho cada livrinho ser focado no trabalho de um artista. A coleção começou com a previsão de ter um lançamento por mês e chegou a ter 10 números de uma só vez. Os 10 de uma vez foram a segunda coleção “Olho de Bolso”, a segunda fase. Que a gente prometeu inclusive pegando um dinheiro fiado de Fernando Duarte. A gente lançou toda a primeira coleção na raça! - Galera, vamos chegar junto com aquele apoio aí!

Sabrina Beth da Matta e Fernando Duarte viabilizaram isso para a gente. Aí, a gente fez uma exposição lá no Museu Murillo la Greca, na época Beth era gestora, e a gente fez um lançamento de 10 artistas expondo originais. A ideia do “Olho de Bolso” era fazer um link com a galera de artes visuais: Irma Brown, Gil Vicente, teve uma galera de fotografia, Renato Valle, Victor Zalma, Leopoldo Nóbrega. Nesse lançamento, a gente reuniu pessoas de linguagens diferentes, com propostas diferentes. Aí, a gente lançou 10 de uma vez.

Camilo – Até hoje é uma preocupação nossa da “Olho de Bolso”: nunca a gente vai repetir um artista, olhando para campos diferentes da arte, embora a gente já tenha lançado muitos ilustradores, muitos cartunistas, porque cada um tinha uma particularidade de trabalho, mas se a gente ainda não lançou um tatuador, pode crer que ainda vai lançar, por exemplo, porque é arte visual também. Não faltam amigos nossos, gente que a gente admira e que a gente vai chegar: - Ó, que tal uma pequena tiragem disso aí?

Sabrina – O “Olho de Bolso” ficou com carro-chefe da livrinho durante um tempo. A gente ficou com os olhos muito voltados para as artes visuais e a gente começou a sentir falta da literatura.

Camilo – Era um processo muito natural porque muitos amigos nossos eram poetas, escreviam, tinha um trabalho do caralho.

Sabrina – Além do nosso gosto. A gente tinha que alinhar o que a pessoa está vivenciando, com o que a pessoa gosta e quer e os interesses editoriais.

Camilo Passa muito por isso: pelo que a gente se identifica também.

Sabrina – Aí, teve a coleção “Litera Tara”, por onde já passaram Aymmar Rodriguéz, Trelles, HVB (Henrique Viana Brandão) e Flávia Gomes. Essas duas são coleções de proposta da Livrinho.

Camilo Coleções fixas que a gente estende o convite pra algum artista, algum autor.

Sabrina São coleções, cabem dentro do orçamento e do bolso da Livrinho. A gente queria fazer um livro de capa dura, com folha de ouro. Mas, a gente se aproveita de ser independente e dos novos formatos que essa independência vai ganhando.

Quem pode publicar pela Livrinho?

Sabrina – Qualquer pessoa que esteja muito interessada em se publicar. Tem duas formas. A gente precisa se manter. A gente acabou, algumas pessoas, deixando seus empregos, para viver da Livrinho e a Livrinho virou uma gestão, deixou de ser um coletivo para ser o trabalho da gente.

Camilo Deixou de ser um hobby experimental e artístico para ser uma possibilidade de profissão.

Sabrina E com um olho editorial cada vez mais tentando se profissionalizar.

Camilo E ao mesmo tempo sem deixar de lançar coisas pelo gosto de ver aquilo lançado e não necessariamente pelo retorno, embora a gente esteja preocupada com isso porque o tempo todo a gente tá lutando pra manter o negócio autossustentável e mais do que isso conseguindo remunerar a gente também, na medida do possível.

Sabrina Aí, a gente começou a aceitar clientes.

Camilo Que foram pessoas que chegaram espontaneamente à gente por já conhecerem a trajetória de lançamentos diversos. De repente, a gente se viu com 5 mil, 8 mil contos para administrar e não podia mais lidar com aquilo com a mesma velocidade e espontaneidade, porque agora era uma assessoria editorial profissional que a gente estava dando para uma pessoa externa, um autor procurando alguém que tivesse as condições técnicas de construir o livro que ele estava querendo.

 

Vocês têm ideia de quantos livros já editaram?

Sabrina Já passou de 70 faz tempo. A gente vai começar a contabilizar agora, porque a gente tem muito na memória afetiva o que a gente já publicou. A gente está começando a ter que se tornar um organismo, uma instituição, que tenha uma gestão, que tenha um tipo de organização.

Camilo Hoje a gente não consegue dar conta do trabalho que a Livrinho dá pra gente!

Sabrina Mas também não consegue pagar todas as contas com o dinheiro que só a Livrinho dá pra gente. A gente entrou no mercado até sem querer, porque a gente depende do sistema.

Camilo – A Livrinho são essas 5 pessoas que estão todo dia se encontrando. Quando Sabrina tá mal, uma parte da Livrinho tá mal automaticamente. A gente já era amigo e virou família. Ninguém tem patrão aqui. É sempre um esforço voluntário de querer ver coisas acontecendo aqui e que caia uma grana no nosso bolso é esse esforço voluntário.

Que outras fontes, além da produção e comercialização de livrinhos, a Livrinho consegue angariar?

Sabrina – Editais virou a cultura da subsistência artística pernambucana, né? Os editais acabam ajudando a gente a realizar, quando a gente é aprovada, é uma oportunidade de publicar um pequeno sonho, fazer uma ação mais ousada.

Em todo Brasil têm surgido editoras alternativas, independentes. Qual é o papel dessas editoras em cada Estado, em cada grupo de artistas que termina circulando em torno?

Sabrina – Existem muitos papéis importantes, mas tem duas coisas que eu acho mais importantes. A primeira é a publicação de pessoas que não têm oportunidade de ser publicadas nas grandes editoras ou em pequenas editoras também. Existe uma demanda maior de criação do que de execução desse material literário e artístico no sentido geral. E um outro motivo muito forte é o ímpeto e a vontade editorial das pessoas. Essa apropriação sobre esse fazer do livro.

Camilo Eu quero ver você publicado ou eu quero ver um livro existir desse jeito e não desse! Quero ver um livro com papel de pano! O livro como um material que pode ser diferente em nome da arte, em nome da criatividade, em nome da vontade e não pra ser plausível ou ser econômico ou ser vendável. Em nome da arte e da criatividade. É outra coisa que as pequenas editoras têm como papel, é se voltar para o experimental, além da possibilidade de publicação de quem não é medalhão.

Sabrina Muitas pessoas que estão fazendo as pequenas editoras hoje em dia são aquelas que circulavam no ambiente underground, da contracultura, que tem uma pegada de fanzine muito forte.

Camilo – Nos anos 80 e 90, existia a cultura do fanzine, coisa que nunca deixou de ter. A cultura do fanzine, ela diminuiu muito como era. O fanzine ser periódico, enviar pra todo o Brasil via carta e tal. Isso se perdeu muito no começo dos anos 2000 por conta disso ter se tornado obsoleto com a internet. Se você queria atingir 2 mil pessoas, você tinha que tirar 500 xeroxes e torcer para que elas circulassem de mão em mão. Hoje, você tem um perfil do facebook, bem divulgado, bem movimentado e você tem 15 mil curtidores.

Recife, maio 2014

 

 

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa