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A balela do acordo ortográfico
por Lara

 

Vou começar concluindo: tou seriamente desconfiado de que essa reforma ortográfica é desnecessária; e também será, com certeza, excessivamente trabalhosa, e trará uma enorme confusão na cabecinha das pessoas: transtornos mentais para quem já está habituado com as regras da reforma anterior (1971), a qual também parecia padecer dos mesmos problemas. Mas isso já é outro papo.

Evidencia-se, cada vez mais, que esse acordo atual, essa “nova” reforma, vai ser bom apenas para o comércio de livros, para os gordos lucros das grandes editoras. Mas isso também é outro papo (vou escrever uma crônica especificamente sobre “barateamento de edições”, esse velho debate sobre uma guerrinha inútil, um velho sonho absolutamente utópico). Bom, essas “enormes” dificuldades e transtornos pesarão, mormente, para os leitores médios (sempre eles, coitados). E são estorvos de vários tipos, e causas várias: psicológicas, financeiras, cronológicas, etc (eu não vou ficar aqui, obviamente, enumerando uma por uma). Vamos em frente.

Numa introdução a um livro de minicrônicas, confessei, “destemidamente”, o meu desacordo em relação ao fim do acento diferencial. Sempre achei que o referido acento facilita a “vida” dos leitores em geral (principalmente os comuns): clarifica os sentidos na frase ou na oração. Se eu digo “ôvo”, com acento, obviamente estou dizendo “aquilo que sai da galinha”. Mas se eu digo “ovos”, sem circunflexo, no plural, posso estar dizendo “os órgãos da reprodução masculina”, entre outros sentidos possíveis. Ou seja: o leitor terá, com a ajuda do uso ou não-uso do acento, a critério do escrevinhador, uma compreensão rápida do sentido sugerido pelo escriba. O raciocínio é idêntico no caso do hífen e do trema. O “k”, o “w” e o “y” já estavam incorporados ao alfabeto português, na prática, por força do uso generalizado.

Em literatura, o “escrever errado” não existe, o que não quer dizer que não haja necessidade de “convenções gramaticais” para o caso específico da redação oficial em geral (nos seus diferentes campos). Na minha literatura, eu sou livre, POSSO ESCREVER DO JEITO QUE EU QUISER, mas não deixo de seguir as necessárias convenções nos diferentes tipos de documentos oficiais.

Outra coisa: dicionário único é utopia irrealizável, principalmente por conta dessa enorme abertura para assimilar neologismos, tão típica da língua portuguesa, sem falar nas grandes diferenças regionais e nacionais, mais os individualismos e idiossincrasias. (As línguas inglesa e francesa estão há séculos sem reformas, e nem por isso deixam de ser línguas referenciais em todo o planeta.)

Outra coisinha, pra finalizar, aproveitando o ensejo: o uso da vírgula pra “marcar” a elipse do verbo. Por que não acabam logo com essa besteira também? E inventam, ou aceitam, alguma outra saída mais “clarificadora”.

Chega de papo furado. Fui.

OBS: Tive, no primeiro e segundo graus, um professor de português muito bom. Numa aula em que eu estava de saco cheio, perguntei pra ele: “Professor, cu tem acento?”. E ele: “Só tem se você sentar em cima, seu otário”. Bela saída. O cara era esperto.

Mas chega mesmo de papo furado.

Agora fui mesmo.

FUI.

EU, HEIN???

(agosto 2008)

Coluna Buraco de Minhoca

LARA
  poeta, cronista, contista e recitador

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 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa