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Minha chapa para as eleições municipais de 2008
por Lara

 

Essa vitória de Berzoini nas eleições internas do PT, sem falar na vitória do “CNB e suas réstias” também aqui em Pernambuco, acabou de colocar a última pá de terra na renitente tese de que uma nova hegemonia da ala esquerda petista iria fazer as esperançazinhas democrático-populares tupiniquins entrarem finalmente em cena. Ilusão treda, como dizia o poetinha lá da Paraíba.

Não há etapismo, e nem mesmo reformismo, nesse campo do CNB e suas réstias. E o trotskismo radicalóide do PSTU não é a tática circunstancialmente mais indicada para um momento sombrio como esse (a cooptação geral foi “refinada” e aprofundada; o governo Lula não está em disputa: está “incuravelmente” cooptado).

E aqui eu tou falando de um determinado tipo de etapismo, e não necessariamente do específico stalinista. A orientação verdadeiramente democrático-popular há muito tempo que sumiu do PT, na prática, eu disse, na prática. Ficou apenas um discursozinho nacional-popular, bem pronunciado, mas que, na prática, resultou numa esquizofrenia política onde, no frigir dos cocos, não só a orientação “neo-liberal” (em sentido amplo) é mantida, mas os “retalhamentos” em alguns direitos trabalhistas vão sendo aprofundados, e a concentração de renda também (o recorde de lucro dos bancos, bem como o aumento do número de milionários são sintomas indiscutíveis), e até privatizações (a saúde pública que se cuide), em meio a maquiagenzinhas estatísticas que nunca sabemos exatamente onde estão nem de onde vieram, e esmolas que não passam disso: esmolas, o velho esquema da caridadezinha populista para que tudo continue dentro dos marcos do capitalismo selvagem (tão velho e tão pós-moderno ao mesmo tempo).

Restou o PSOL, Chávez e companhia. Mas ainda é cedo para abraçar o chavismo e seus novos caudilhos tão “arrebatadamente”. Nisso o PSTU tem razão. É preciso observar mais (principalmente as brechas para algum novo “capitalismo-de-estado”, em moldes ditatoriais ou assemelhados). O próprio PSOL corre os mesmos riscos que o PT corria no seu nascedouro: ou a hegemonia da centro-direita, com disfarce democrático-popular, o que acabou acontecendo no PT, ou a hegemonia de alguma variante de ortodoxia marxista, seja na versão trotskista ou algo semelhante (o velho problema da ditadura de uma fração da pequeno-burguesia “esclarecida” em nome do “proletariado”). A meu ver, somente resta a esses sub-setores da ala esquerda do PT migrarem definitivamente para o PSOL, ou fundarem um novo partido, ao invés de ficarem insistindo nessa corda bamba da proximidade excessiva com o termidor petista do CNB e suas réstias (abandonarem as tetas dos cargos de terceiro escalão), embora acordos pontuais com alguns desses sub-setores continuem sendo possíveis, principalmente no campo mais especificamente cultural, o que não descarta o voto, no segundo turno, em determinadas figuras da “Articulação de Esquerda”, “O Trabalho” e outras correntes ou sub-correntes da tão badalada ala esquerda petista: é o propalado voto “espinha na garganta” (a tendência “Mensagem” é ambígua: enquanto aqui em Pernambuco costura um suposto Campo de Esquerda Unificado, na eleição interna nacional apoiou o candidato do CNB e seu novo campo majoritário).

E aqui outra vez entra em cena o problema de um contexto com uma relação de forças concretas extremamente desfavoráveis, por vários motivos, sejam burgueses ou populares; mas sobre isso tenho falado com bastante freqüência nos meus escritos; portanto neste momento aqui agora, vou me eximir de ser repetitivo novamente, embora ainda tenha algumas coisinhas pra falar sobre programa mínimo e dosagens de violência (força) em pequenas e médias rupturas sucessivas (a estratégia dos pequenos cortes à conta-gotas para a realidade específica brasileira: a discussão pode ser outra para outros países).

O programa mínimo proposto pelo PSTU já é quase-socialista. Não temos acúmulo de forças pra “impor” um programa tão avançado para a nossa específica realidade tupinambá. Por essas e outras, uma postura circunstancialmente etapista, e processual, parece-me mais lúcida pra esse momento político do ano de 2008 no nosso inferninho nheengatu. Isso pressupõe um programa mínimo ainda nos limites do campo democrático-popular, algo entre a Constituição de 88 e o Welfare State Nórdico: um pequeno passo para os próximos anos (para uma efetivação real). Primeiro precisamos estancar os “retalhamentos” nos direitos adquiridos, as privatizações e as terceirizações “generalizadas”, enquanto paulatina e “sucessivamente” implantamos pequenos avanços na direção de um Welfare State Tupiniquim, ou algo parecido. Essa inversão, embora processual e relativamente lenta, já não interessa ao CNB e seu novo campo majoritário. Talvez um partido como o PSOL possa, deveras, encabeçar uma inversão dessas, passo a passo, consecutivamente. No entanto, mesmo assim, retrocessos contextuais não podem ser descartados a priori (dependeriam da relação de forças concretas em cada contexto).

O arco de alianças, obviamente, não poderia ser tão amplo quanto o praticado pelo PT, nem tão estreito quanto o proposto pelo PSTU. Dependeria, principalmente, de uma postura de oposição ao governo lulista, e da aceitação de um programa mínimo que apontasse para uma efetiva realização de um esquema verdadeiramente democrático-popular, na prática, e que tenha perspectivas de avanços paulatinos além dos limites da centro-esquerda. Os acordos pontuais seriam avaliados caso a caso, e estariam sujeitos a reavaliações “coletivas”.

A esquerda ultra-radical costuma argumentar que é impossível a existência de um capitalismo “menos selvagem”, mas os países escandinavos mostraram que isso é possível, mesmo com falhas e limitações. A grande questão seria o que fazer para avançar, em circunstâncias favoráveis, além do que já foi conquistado pelos países nórdicos, ou seja, avaliar lucidamente as possibilidades de “saltar” etapas nos avanços consecutivos na especificidade brasilense.

Quanto ao uso da violência, não descarto nenhuma das duas possibilidades seguintes: ou um banho de sangue da burguesia, se essa inversão for realmente tentada na prática, ou a precipitação maluca e suicida de uma parte da esquerda radicalóide, ao querer implantar, de uma hora pra outra, alguma variante da famigerada “ditadura do proletariado”. No primeiro caso, o “banho” poderia ser precedido por uma transferência maciça de capital e negócios para os paraísos financeiros externos e as áreas com mão-de-obra semi-escrava, ou seja, primeiro seria instalado o “caos” econômico; depois o próprio caos seria usado como desculpa para o “banho”. No segundo caso, a trajetória humana já mostrou para quais caminhos esse tipo de ditadura vermelha envereda (stalinismos e outras sub-espécies de totalitarismos), embora diferentes tipos de experiências socialistas, marxistas ou não, ainda possam ser testadas. São possibilidades em aberto, mesmo no caso marxista, uma vez que o marxismo tem as suas variantes, principalmente as heterodoxas.

Ora, qualquer espécie de poder precisa exercer suas dosagens de violência (força), direta ou indireta. Até os anarquistas usaram suas dosagens, em algumas ocasiões. E com o “Welfare State Tupiniquim” não seria diferente. Obviamente estou dizendo que, mesmo em processos etapistas e processuais, em determinados momentos, certas dosagens de “violência”, inarredavelmente, iriam ser usadas. A diferença estaria em quem usa, como usa, quanto usa, porque usa, etc.

Mas chega de miôlo de zabumba. Vamos à chapa: PREFEITO = Edílson Silva (PSOL); VEREADOR = Zé Gomes (PSOL).

No segundo turno, no segundo turno, eu poderia votar em alguma figura da ala esquerda petista.

Mas em qualquer candidato ligado diretamente ao CNB, propriamente dito, ou a suas “réstias”, não votaria, nem no segundo, nem no terceiro, nem em turno nenhum. Aí seria voto nulo mesmo. Até porque seria bem-vinda uma aproximação entre certos sub-setores da ala esquerda do PT e os “moderados” do PSOL, ou áreas neo-anarquistas menos radicais; isso inclusive poderia facilitar uma neutralização de setores radicalóides mais precipitados ou “suicidas”.

Bom, acho que já falei demais. Chega por hoje.

ARGH!! SACO!!!

(fevereiro 2007)

Coluna Buraco de Minhoca

LARA
 poeta, cronista, contista e recitador

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa