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Paulo Figueiredo
Mais um bom e jovem poeta pernambucano à procura de editor
 
por Lara

 

Já comecei dizendo que Pernambuco não tem parque editorial ou, se tem, não está à altura de sua pujança histórica. O Estado tem sérias limitações editoriais, e eu não estou querendo falar sobre isso. O papo dessa vez é sobre outro lance. O papo hoje aqui é sobre o jovem poeta pernambucano Paulo Figueiredo, filho espiritual de Olinda... mas, também, chefe de setor na UFPE. Ele tem combinado, bem, razão e intuição criativa, sem as "típicas" reclamaçõezinhas e chororôs à Drummond.

Randômicos curtos-circuitos futuros serão de responsabilidade do campo mórfico. Tenho dito. Vamos em frente.

Pois é: meu jovem "sobrinho" Paulo, lidando cotidianamente com bipolaridades tão díspares, tem desempenhado bem o seu papel de administrador aqui na Terra (Capela é outro papo, que não cabe aqui agora)...

... e então observo, agora, esse irmãozinho existencial imbricado em meio a essas extremas complicações epistêmico-espirituais.

Bom, chega de conversa mole (confesso que estou enrolando antes de entrar no que interessa).

O ateísmo contemporâneo, de novo tipo, quase-conformista, desse meu "sobrinho", não é exatamente o que eu tenho sonhado pra mim ultimamente (eu poderia odiá-lo por isso, mas eu estou tentando escrever uma crônica sobre a poesia "incipiente" do referido jovem poeta, e não posso ficar estagnado em rancorezinhos religiosos ou não).

Velho, vamos ao que interessa: a poesia do carinha:

 

"Tomei desgosto pelo Poder.
Bem sabeis, vós, ó Deus,
que não mais espero possuir o vosso rosto:
passei a ter medo de não envelhecer.
Aos vossos olhos não dança apenas
a nudez das moças:
dança também o sangue espúrio
dos corpos mutilados.
Vossa boca não beija somente
as faces dos vossos filhos:
beija também as feridas
dos vossos algozes.
E essas vozes, que nunca dizem adeus,
jamais vos permitem dormir."

Depois de palavras tão tenebrosas e horripilantes, o rabugento leitor certamente estará espojando-se nas suas sarnas transgressoras, e pensando, com os seus botões, que esse articulista que vos fala, certamente, já perdeu o juízo há muito tempo (?como é que um cara pirado desses transforma-se num colunista respeitado dentro de um sítio sério de literatura, rapaz?).

Garotos, falando sério, eu estou com preguiça de escrever essa crônica. É por isso que estou enrolando com esse miolo de zabumba. Daí o seguinte: quem quiser conhecer mais detalhes da literatura competente do meu "sobrinho" Paulo, então que compre os livros dele, ou procure-o nos fanzines da zona da mata pernambucana. Agora, por piedade, eu posso reproduzir algumas passagens do livro "Não quero mais ser Deus". Lá vai:

 

" O sereno zomba das folhas mortas
e se diverte com as ilusões humanas."

"... despedir-me deste mundo num cemitério,
e não num porto."

"... há tantos resíduos em tua vida,
e nenhuma chance de sublimação."

"... o amor de um só coração,
ainda que muito, é leve
e pouco."

"... escancarar as janelas
e as portas do próprio hospício."

"Mesmo quando parece,
não estou aqui de verdade."

"Já começo a aceitar a hipótese
de estar pirando."

"Não fossem os lobisomens,
os vagabundos e os vira-latas,
a cidade estaria agora
sorvida numa solidão terrível."

E por aí vai o nosso "incipiente" poetinha (não esqueçam que Rimbaud escreveu o melhor de sua poesia entre os 17 e 20 anos). Entre ralas influências marginais, pós-tudo, augustianas e, em sua maioria, neo-clássicas (é sim, caro leitor pachorrento, se toque, porque o carinha trabalha com mais freqüência a competência estilística neo-acadêmica).

Bom, por hoje, já disse quase tudo que eu queria dizer sobre o nobre poeta Paulo Figueiredo. Pra mim chega. O resto é vocês mergulhando nos livros do cara.

ARGH!!! Deixem-me em paz agora, garotos.

PUM!!!...

Tenho dito com freqüência ultimamente que... não basta ficar apegado paranoicamente a um pólo contra outro pólo. Que é preciso com urgência estar de olho diretamente apontando para, especificamente, o campo das "tensões" dialéticas no caminho do meio. Nem sou azul nem sou vermelho. Sou Diana. Sou os dois e sou nenhum.

Bolas, estou voltando novamente pr'aquele miolo de zabumba enchedor de saco. Escute, meu véio, vamos encerrar logo essa conversa mole:

A boa poesia do jovem poeta Paulo passou no teste da escola-da-vida e das equações acadêmicas também. O que mais querias que eu dissesse?

PRA MIM CHEGA!!!

(julho 2006)

Coluna Buraco de Minhoca

LARA
  poeta, cronista, contista e recitador

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 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa