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Cartola com café
por Geórgia Alves

 

Cartola de maçã (manteiga, açúcar e canela), pêra ao vinho (bebido no corpo dela)... Sob alta pressão é cristalizada. Tal qual mulheres de areia. Sobre toalhas de linho.

Tornei-me matéria cristalina de vidro fino. Cenário de um tear matutino em fios de linho. Por que tanta transparência? Talvez por um novo embalo de cantarolar feminino. Voz materna solfejando canção de ninar. Quem aguenta tanta bebida? Quem consome tanta notícia? Porque não apresso mais que própria vida? Não era para ser assim... E não é discurso de Páscoa. É apenas um novo formato. Um novo embalo.

Vou nesse fio de novelo até me livrar do labirinto. Preciso de uma sinceridade branda, que nem sempre se diz em palavras suaves e bem escolhidas. Sim, há os que querem, precisam do grito!

Por outro lado, o que está aqui, se me enxergar mais permitida para o definitivo da vida, eu saberei por onde ir, que caminho seguir. Saber o que querer da vida e se ainda não for possível viver assim, como para o quê nasci, ao menos eu sei para o que não nasci. E que não preciso ter pressa. Tudo a seu tempo. Preciso mesmo é ser acertiva. E não dar ouvidos a essa vozinha insistente ordenando em mim instantes vagos, minutos inteiros de um mal querer sem fim.

O que é preciso e decisivo em minha vida é ser acertiva. Não correr como louca e atravessar tudo nessa pressa infinita. Sede tão mouca de viver. É muito mais provável com a alma junto chegar aonde caminha meu querer mais profundo.

Alguma sorte, sim. Que a boa sorte me guie para esse lugar bom do desejo. Como aliás sempre fez comigo. Leva para um outro lugar, o do desejo que é motivo. Desejo motor e não aquele que se esvazia quando correspondido. Não se morre senão uma pequena morte se se corresponde ao seu urgente pedido. Sendo acertiva me ligarei ao que é mesmo essencial em mim.

Penso bem menos na minha solidão. Se nunca incomodou antes, porque me transtornaria agora? Preciso sim é apagar as marcas da alma.

Eu que nem você e você e você, sou fruto, de bullying. Mesmo que num "privilégio" tardio. Quem já não foi vítima disso? É necessário, embora preciso, pensar com mais esperança e considerar o nada que existe na opinião dos outros. Afinal, a opinião deles só interessa em parte, só a parte que interessa...

Vou ver a vida com mais calma. Sim, corri tanto nos últimos tempos que tenho mesmo é que dar o tempo necessário para a alma chegar junto de novo. E será tudo novo de novo. Toda arte precisa da alma. Minha cria completa: "E toda alma precisa de arte. Para conseguir se expressar é preciso soltar...". Importante também é livrar-se das marcas. Crescer nos instantes em que ela, para se dizer assim, respira!

Para qualquer atuação, inclusive a mais honesta consigo mesmo, a alma tem que estar junto e respirando. Se não puder enxergar a minha como a levarei comigo? Não a levarei a algum lugar, mas ao lugar que esperei e que sonhei esses dias todos com ele. Essa pressa para mim, agora é sinônimo de nada.

Feito copo de vidro vazio! E sem essa que ele está cheio de ar... Não. É tudo que preciso. Digo não ao não de mim. Se não se parece comigo... É não. E ponto. Sem pesponto

E se beleza não põe mesa, minha querida vó Celina, acalma. É conversa que não enche barriga. Não a minha que sempre se ocupou de uma fome tão distinta. Nunca nunca mesmo com comida ou bebida. Minha fome é outra. Minha sede e fome ,por tanto frio que sinto, é de livros! Ao ouvir dos homens o que ouvia, eu já não cria.

Alimento me do que é fruto de areia fina. Matéria polida. Fiada. Já disse de linho e não algodão. Feito fruta em mordida matutina. Cartola de maçã com canela, açúcar e uma pitada de sal marinho, para equilibrar a pressão.

Estou cheia de uma alma que nunca mais será presa. Cristalina e com nenhuma pressa, que já caminha enquanto respira... Ah! Também sei sorrir. Repare, por trás desse cristal líquido, foi meu envelhecido - e tão pouco adocicado - vinho que te trouxe até aqui.

 

Coluna dacordafelicidade

GEÓRGIA ALVES
é jornalista e especialista em literatura brasileira

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cícero Belmar