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Manuzé

 

 

rebeldia sem concessões

por Marcilio Medeiros

 

Conheci Manuzé em 1983, durante a I Caminhada Poética de Pernambuco, época em que o Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco (MEIPE) ganhava força. Ele havia publicado um livro, Hodiernamente (1979), enquanto eu, adolescente apressado, queria lançar o primeiro. Diante de seu jeito irreverente, espontâneo e humor afiado, a amizade fluiu facilmente.

Houve o lançamento de seu segundo livro, Grito de Solidão, e de Solitude, de Wilton Lima, ambos com capas feitas por ele mesmo, no dia 28.07.83, na Fasa, dentro da programação do 6º Festival de Inverno da Unicap.

A partir daquele ano, ele passou a editar, com Dione Barreto, o Contágil, jornal de poesia.

No ano seguinte, ele faria a capa e apareceria performático dizendo poemas no lançamento de meu livro, na Livro 7.

Ainda em 1984, saiu seu terceiro e último livro, Cara de Barraca, lançado em 1º de junho, no Bar Órion, no Recife Antigo, quando a região ainda era a principal área de prostituição da cidade. Apresentamos um esquete na ocasião, com roteiro que remetia a sedução e bebedeira, o que se harmonizava com a idéia do livro e o ambiente.

Quando da primeira eleição da UBE-PE, em 1985, após a reestruturação da entidade, Manuzé participou das discussões para formação da chapa única, que reuniu escritores de diversas gerações. Sua atuação intensificou-se nas gestões de Nagib Jorge Neto e Dione Barreto, colaborando como diagramador no informativo da instituição, para o qual fizera também a logomarca.

Em 1985, aconteceram reuniões na casa de Manuzé, das quais participaram Dione Barreto e Vernaide Wanderley, para a criação de um grupo de poesia falada. O nome seria Acorda, Poesia ou A Cor da Poesia. Terminou por chamar-se Cenaberta, cujo trabalho culminou com a montagem do espetáculo Somos Vários desta Espécie, dirigido por Antonio Cadengue, uma colagem de textos de Fernando Pessoa, por ocasião dos cinqüenta anos da morte do poeta português.

Em 1986, participamos juntos de recitais, entre eles, Arte na Praça – 1º Encontro Artístico de Jardim São Paulo (com o Grupo Cenaberta); Uivo, na UFRPE; e 70 Anos do Dadaísmo, com Paulo Bruscky, Sergio Arruda, Rosi Luna e Eunice Duarte, no MAMAM.


Paulo Bruscky, Rosiluna, Manuzé, Marcilio 
Medeiros e Sérgio Arruda (agachado)
 

 

Nesse ano, ele foi um dos finalistas do 1º Festival de Humor do Recife e começou sua atuação no teatro na peça O Jogo das Farsas, no Teatro Apolo, para a qual fez algumas músicas com o compositor e diretor teatral Jorge Costa.

Em 1987, Manuzé serviu de modelo para o pintor Roberto Portella e começou a fazer participações em vernissagens de outros artistas, derramando tinta sobre si mesmo e pintando o corpo nu. 

Em 1988, atuou em O Homem e o Cavalo, de Oswald de Andrade. Para os dois espetáculos, fez a programação visual do material impresso. Nesse período, o MEIPE se dispersava.

Jorge Costa, amigo de Manuzé a partir da adolescência, conta que ele era performático desde cedo. Os dois estudaram na Escola Estadual Dom Vital e no ETEPAM, onde Manuzé concluiu o curso de desenhista de arquitetura. Diz ainda que ele fez vários vestibulares, como os de engenharia e matemática, passava em todos, começava a cursar e abandonava depois.

Terminou por graduar-se na Escola Superior de Marketing, do Benfica. Para as fotos do convite de formatura e em todas as solenidades de conclusão do curso, ele apareceu com roupas que destoavam da formalidade dos demais colegas, mais uma de suas atuações.

Aliás, o jeito dele se vestir era uma marca própria. Dava um toque pessoal nas roupas e acrescentava elementos que ele criava, feitos de clips de papel, por exemplo. Tinha uma coleção de chapéus e sempre aparecia com um por onde circulava.

Participou ativamente da vida cultural do Recife nos anos oitenta, prestigiava os amigos nas mais diversas iniciativas e era um grande colaborador em todos os projetos literários que pedissem sua ajuda. Em seus próprios livros, fazia capa, ilustrava, diagramava. Para o Cara de Barraca, fez, além disso, frevo e bloco de carnaval.

Manuzé ou Manoel José do Nascimento, nascido em 03 de junho de 1956, faleceu em 1992.

Deixou inéditos os livros Blumenáuticos e Sinistro. Deste último, publicou, no Contágil, o poema O caminho queu mais curto:

Tem gente que se curva
Eu gosto é de retas
A distância é menor
Tem muita gente destra
Eu prefiro ser sinistro
E aderir às diretas

Tudo a ver com aquela época.

 

MARCILIO MEDEIROS é poeta, ator, professor universitário e foi integrante do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco.  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa