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Ascenso Ferreira

 

 

Uma Voz que se Eterniza

O poeta Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu no município de Palmares, zona da mata de Pernambuco, em 09 de maio de 1895 e morreu em Recife em 05 de maio de 1965. Filho único do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira, ficou órfão aos 13 anos e muito cedo começou a se dedicar à poesia. Em 1911 publicou seu primeiro soneto, Flor Fenecida, no jornal, A Notícia de Palmares.

Em 1927, saiu à primeira edição do livro Catimbó com ilustrações do poeta Joaquim Cardoso.

Em 1939, é publicado Cana Caiana com ilustrações do pintor Lula Cardoso Ayres e em 1951, lança, no Rio de Janeiro, o livro inédito Xenhenhém em edição de luxo, reunindo os dois livros já publicados anteriormente.

Autor de uma obra ímpar, figura reconhecida pelos escritores do seu tempo, amigo de Manuel Bandeira e Mario de Andrade, tem sua obra estudada por grandes nomes da Literatura brasileira e da crítica.

Poeta da primeira geração do modernismo, marcou época com a recitação dos seus poemas tendo gravado, no ano de 1959, um álbum duplo de discos “64 Poemas Escolhidos e 3 Historietas Populares”, primeiro escritor brasileiro a utilizar esse recurso para divulgar a sua poesia, o que demonstra o quanto o poeta do chapéu era adiante do seu tempo.

Recentemente, a Prefeitura do Recife inaugurou um Circuito de Escultura de artistas pernambucanos, dentre elas a de Ascenso, localizada no Cais da Alfândega onde o poeta está sentado a contemplar o Rio Capibaribe.

 

 

Ascenso no Século 21

por Juareiz Correya


Em maio de 2006, festejando o 111º aniversário de nascimento do poeta Ascenso Ferreira, com o lançamento do livro OUTROS POEMAS & INÉDITOS, o Recife teve a oportunidade de promover também, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, o lançamento do projeto Dia de Ascenso (9 de Maio), criado para homenagear o poeta no seu aniversário de nascimento e animar, naturalmente, no seu dia, produções intelectuais e artísticas que reverenciem e relevem o nome de Ascenso Ferreira. Figura significativa da poesia pernambucana – e nordestina e brasileira – da década de 20 à década de 60 do século passado, poeta singularíssimo que soube, como ninguém, ser erudito e popular em sua criação, Ascenso Ferreira é inspiração constante para outros poetas e artistas e motivo permanente de estudos e pesquisas de jornalistas, professores e estudantes. Por força disso, a realização do Dia de Ascenso, no Recife, em cada aniversário de nascimento do poeta, apresentará cursos, concursos, exposições, espetáculos musicais e teatrais, palestras e lançamentos de livros que evidenciarão, para o Recife e para Pernambuco, como a poesia de Ascenso Ferreira continua viva e se projetando para o futuro deste novo século e deste novo milênio.

Dia de Ascenso, em maio / 2007, festejará o 112º aniversário de nascimento de Ascenso Ferreira. A iniciativa da Panamérica Nordestal Editora contará com o apoio cultural do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, Fundação de Cultura Cidade do Recife / Prefeitura do Recife, CEPE/Governo de Pernambuco e de centros universitários do Recife e de Olinda.

Nesta primeira década do Século 21, a obra poética de Ascenso Ferreira – que é um trabalho artístico brasileiro relevante do Século 20 – continua motivando o merecido interesse de estudiosos, editores e produtores culturais : o lançamento, no Recife, do livro OUTROS POEMAS & INÉDITOS, de Ascenso Ferreira, obra póstuma organizada por Juareiz Correya, contou com o apoio cultural da CNI-Confederação Nacional da Indústria, por iniciativa do seu presidente, Dr. Armando Monteiro Neto, que promoverá lançamentos também em Brasília e em São Paulo ; o cineasta pernambucano Marcos Hanois Falbo realiza um documentário de média-metragem sobre o poeta, com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco / Ministério da Educação; a editora paulista Martins Fontes publicará uma nova edição do livro POEMAS DE ASCENSO FERREIRA (CATIMBÓ – CANA CAIANA - XENHENHÉM ), a ser distribuída em todo o território nacional ; e a Panamérica Nordestal Editora, do Recife, prepara a edição da nova fortuna crítica do poeta, dando seqüência ao trabalho de Souza Barros, que publicou a primeira parte da fortuna crítica do poeta em 50 ANOS DE “CATIMBÓ” (Editora Cátedra/INL, Rio, 1977).

Com o título ASCENSO FERREIRA : MAIS TEMPO DE “CATIMBÓ”, a nova fortuna crítica do poeta, organizada por Juareiz Correya, englobará mais de 40 textos de escritores, jornalistas e professores, publicados em livros, jornais e revistas a partir da década de 1980, quando o poeta voltou a ser editado, até os dias de hoje. São artigos, reportagens, depoimentos, crônicas, estudos de autores pernambucanos e brasileiros : Letícia Lins, Waldemar Lopes, Jessiva Sabino de Oliveira, Roberto Benjamin, Maximiano Campos, Paulo Cavalcanti, Heber Fonseca, Paulo Fernando Craveiro, José Cláudio, Lucila Nogueira, José Teles, Nagib Jorge Neto, Veríssimo de Melo, Miguel de Almeida, Raimundo Carrero, Bezerra de Lemos, Manoel Onofre Jr., Jefferson Del Rios e José Castello, entre outros.

Quando publiquei, em 2001, o perfil biográfico do poeta – ASCENSO, O NORDESTE EM CARNE & OSSO -, destaquei o último capítulo do livro com uma relação de edições, reedições, gravações musicais, teatralizações e documentários televisivos que evidenciaram a importância da sua obra até as duas últimas décadas do Século 20. E encerro este artigo com as mesmas palavras, desse capítulo, que davam (e dão) a medida da atualidade do poeta :

“Neste ano de 2001, a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, conquistou o tricampeonato carioca, na Marquês de Sapucaí, no grande desfile das escolas de samba do Grupo Especial, com o samba-enredo “Cana caiana, cana roxa, cana preta, amarela, Pernambuco ... Quero vê descê o suco, na pancada do ganzá”, título inspirado em versos do poema “Trem de Alagoas”, de Ascenso.

O poeta que, com a sua poesia originalíssima, talvez “intraduzível”, como observava Sérgio Milliet, nos revelou um Nordeste autêntico e puro, flagrando parte da sua transformação no Século 20, chega ao novo século e ao terceiro milênio reeditado, regravado, filmado, televisionado: está vivo e eternizando o século em que viveu.”

 

JUAREIZ CORREYA, diretor editorial da Panamérica Nordestal Editora, do Recife, é editor e biógrafo do poeta e idealizador do projeto DIA DE ASCENSO.

 


Lourdes Medeiros, esposa de Ascenso Ferreira

 

A cavalhada

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis,

Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no vento!...

Foguetes do ar...

— "De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!"

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

— Lá vem Papa-Légua em toda carreira
e vem com os arreios luzindo no sol!
— Danou-se! Vai tirar a argolinha!
— Pra quem será?
— Lá vem Pé-de-Vento!
— Lá vem Tira-Teima!
— Lá vem Fura-Mundo!
— Lá vem Sarará!
— Passou lambendo!
— Se tivesse cabelo, tirava!...
— Andou beirando!...
— Tirou!!!
— Música, seu mestre!
— Foguetes, moleque!
— Palmas, negrada!
— Tiraram a argolinha!
— Foi Sarará!

Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...

— Viva a cavalhada!
— Vivôô!!!

— "De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!"

 

Fotos: arquivo da Prefeitura do Recife

Escultura: Demétrio Albuquerque

 

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa