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sonata no tapete sob a cama — os leopardos e no espelho borboletas esvoaçam há um cheiro de lavanda e de almíscar e o silêncio introvertido quase grita todo negro na varanda dorme um gato um casal de lagartixas se espreguiça sob o olhar embevecido de um canário e o silêncio introvertido quase grita sob a água do chuveiro ela se abriga lentamente o corpo todo acaricia sem que nada nem ninguém lhe ocupe a mente toda pele toda toque toda carne toda urgência toda gozo toda música e o silêncio introvertido quase grita quando sequer os sinos dobram o silêncio habita à boca do estômago vizinho de angústia e tédio o cinza assume a tarde despida de vaga-lumes e de azuis e o vazio se instala a meio caminho entre o gosto e a língua os tigres tristes todos os tigres se tingiram em tons de verde e pareciam arbustos a mover-se por entre as árvores ávidas de vento na placidez de um verão interminável e em sendo verde dentre o verde em movimento por mais atento o olhar raro divisa e de si mesmo duvida quando vê vultos vagos ao calor tremeluzindo mas eis que irrompe do céu a tempestade e a terra seca de inundada se atormenta entre raízes e troncos se entreabre ao aguaceiro veloz que empedernido faz-se enxurrada roubando o verde aos tigres que desbotados em tigres tristes se tornam Márcia Maia publicou Espelhos, Um tolo desejo de azul, Olhares/Miradas, Em queda livre e Cotidiana e virtual geometria. Mantém o blog marciaslmaia.blogspot.com.br.
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