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por Cícero Belmar Ela ficou olhando-se no espelho, analítica, como se estivesse perplexa diante de uma desconhecida. Talvez não estivesse pronta para ver-se de uma forma tão óbvia. Apertou a bolsa contra o peito, com força, depois desviou o olhar, para o chão. Era o banheiro de um bar e o espelho ocupava quase toda a parede. Acredito que ela não me viu. Ou estava muito nervosa, a ponto de nem conferir se havia mais alguém no banheiro. Começou a dizer à própria imagem refletida: - Eu vi o que você acabou de fazer, sua louca! Eu estava num dos sanitários, no lado contrário ao espelho . Ela não aparentava estar bêbada. Desatou a chorar. Procurei ficar em silêncio, curiosa que sou. - Você é uma inconsequente! Disse a si mesma. Inspirou fundo, limpou as lágrimas com o dorso da mão: “Agora você já sabe o que vai acontecer. Não era isso que estava querendo?” Outra mulher entrou no banheiro. Imediatamente a primeira parou de falar com o espelho, lavou o rosto, delicadamente, passou um batom vermelho, blush e lápis nos olhos. Depois, afastou-se um pouco do espelho, verificou se o vestido estava amarrotado. Na frente, atrás. Pareceu ter aprovado e retirou-se. Não esperei muito, também saí, tentando revê-la no salão do bar. Estava acompanhada por um homem e outro casal, já na porta de saída do bar. COLUNA LETRA DURA CÍCERO BELMAR escritor e jornalista
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