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ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012

por Lara

 

Entrei definitivamente em rota de colisão com a ortodoxia marxista (em geral) e com as estratégias radicais para transformação social no Brasil. O tempo mostrou-me que, num país como o nosso, a estratégia etapista adapta-se melhor à realidade cotidiana desse povo específico. Em casos semelhantes ao do Brasil, com certeza, as estratégias radicais não surtem maiores efeitos, por “n” motivos. Sendo assim, nesses casos específicos, a estratégia mais indicada seria do tipo etapista, e não radical. Esta, a radicalóide, ao ser aplicada em realidades desse tipo, mais afasta do que aglutina. Vejam o caso do PSTU, por exemplo: desde os tempos em que era uma corrente interna do PT (Convergênca Socialista), até hoje, não conseguiu eleger um vereador no Recife. E isso num período de quase 30 anos. Agora recentemente perderam, de goleada, a eleição para a reitoria da Universidade Rural. Na UFPE, sequer conseguiram lançar candidato. No geral, estamos diante de uma performance patética, para quem existe a quase 30 anos. Como se não bastasse o desmanche do “welfare state europeu”, com a honrosa exceção da socialdemocracia nórdica, principalmente a Noruega. De nada adianta ficar reproduzindo discurso socialista radical, se a cabeça do povo não quer saber desse proselitismo anacrônico, se a ortodoxia ideológica não traz resultados imediatos, por mínimos que sejam. Se o que ela propõe é uma revolução que nunca chega, enquanto esperamos de barriga vazia.

Eu mesmo estou escaldado. Tou na carne viva. Não acredito mais nesse tipo de estratégia radicalóide para realidades como a tupiniquim. Tou fora MESMO. Como se não bastasse a prática “escrotinha” de boa parte da velha esquerda. Dentro dos sindicatos, essa velha esquerda extremista e ortodoxa tem uma práxis típica de quem “passa o trator” por cima de quem não reza na sua cartilha, chegando frequentemente a usar atitudes anti-éticas. Enfim: são muitos os motivos para que, nas próximas eleições municipais, eu vote em candidatos ligados ao campo democrático-popular, minimamente à esquerda ou não (o mal menor, o menos ruim, o possível para cada contexto específico). Penso, assim, estar contribuindo com os pequenos passos graduais necessários para pequenos avanços paulatinos na situação sócio-econômico-ambiental dos brasileiros. (De grão em grão, a galinha poderá encher o papo, a médio e longo prazos, ou pelo menos manter o que conquistou). O que não impede o voto em candidatos “minimamente” à esquerda, como é o caso de Edilson Silva, do PSOL, meu candidato a vereador em 2012 (no Recife), ligado à ala “moderada” e heterodoxa do PSOL, acredito eu. A principal função de candidatos desse tipo seria “acicatar”, moderadamente ou não, o campo majoritário petista para que não ceda à tentação de acomodar-se em esquemas de centro-direita, muito assemelhados ao “velho” neo-liberalismo.

No caso da prefeitura do Recife, eu poderia votar em João Paulo (do PT) no primeiro turno.

Se o candidato for João da Costa, votarei neste no segundo turno, e no pastor Esdras (do PSOL) no primeiro turno. Na cidade dos meus pais, lá no agreste, estou com um candidato a prefeito que é meu primo, um jovem ético e com muita disposição para o trabalho. Sua candidatura, provavelmente, será lançada por algum partido da base aliada “lulista”, ou algo próximo. Tenho uma certa esperança de que sua atuação política no município faça uma pequena diferença em relação aos outros prefeitos que já passaram pela cidade. O que não é pouco, em se tratando de uma área onde maiores avanços são quase impossíveis, devido a inúmeros motivos, que não vou esmiuçar aqui, pra não me alongar nem encher demais o saco do digníssimo leitor, pois já fiz essa “dissecação” em outros escritos. Quem usar uma estratégia radical num lugar desses, “passa de guerreiro a suicida”, como já dizia o poetinha popular. Num caso específico desses, nada resta senão tentar comer o prato de papa quente pelas beiradas, começando com uma “colher-de-chá”. E também o seguinte: às vezes é mais difícil manter do que conquistar.

Se a inteligência prevalecer no PT recifense, a decisão mais lúcida seria lançar o nome de João Paulo para prefeito, e apoiar João da Costa para deputado federal nas eleições gerais. O primeiro João é mais popular, e sabe lidar melhor com a problemática ambiental, “holística”, literária, etc. O segundo João é um administrador razoável e um cara bem antenado com o lado técnico das questões, mas a sua corrente interna (Articulação de Esquerda) ainda padece de muitos resquícios de ortodoxia marxista. Talvez, nesse caso das eleições de 2012, o mais aconselhável fosse o PT recifense realizar prévias, ao invés de baixar uma decisão a partir de “cima”. Mas isso é problema do PT, e eu não sou petista, nem trotskista, sou ativista independente.

E no meio do buruçu generalizado, de tantas incertezas, tem também a necessidade premente das negociações com os “marinistas”, que enfatizam mais a ética e a ecologia do que a luta-de-classes (num sentido unilateral). Isso seria motivo para um ataque frontal dos esquerdistas ortodoxos contra o novo partido que Marina planeja criar (Movimento da Nova Política). Coitadinhos desses extremistas “tupinambás”. Será que subestimam a inteligência de Marina? E tudo isso já em pleno século XXI. Me poupem.

Como eu disse em outras crônicas, são muitos os diferentes aspectos dessa questão complexíssima (a política tupiniquim). E de nada adianta querer botar o carro na frente dos bois, e usar a velha tática “do tudo ou nada”, sempre deslocada do real e ineficaz para um mínimo de distribuição de renda contextual (acaba ficando sempre o NADA ao invés do TUDO). Mas estamos num país democrático, e quem acredita em estratégias radicais para o Brasil tem o direito de falar abertamente sobre as suas convicções. E ter consciência dos seus riscos.

Tenho dito. E repetido.

 

janeiro-2012

Coluna Buraco de Minhoca

LARA
  poeta, cronista, contista e recitador

 

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EFEITOS COLATERAIS DE CONVICÇÕES ALTERNATIVAS

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012

Fim do suporte, sub-arte, pseudo-literatura, etc

CAPACAÇA E OS ANGICOS

SANGUE DAS LINGUAGENS, CARNIÇA DAS GRAMÁTICAS

A OBRA E O HOMEM

O ESMOLÉU E O JIM JONES MARXISTA-LENINISTA

BREGA

A INVENCÍVEL BURGUESIA TUPINIQUIM

O FIM DOS HOSPÍCIOS

ELEIÇÕES NA UFPE 2011

MACONHA

ABORTO*

A jabulane, o cérebro de canário e os leviatãs tupiniquins

Contra o desarmamento

Zé Celso

Minha chapa para as eleições gerais de 2010

Dialogando com as profissionais do sexo

Fetiche do pó

A Galiléia de Ronaldo

Revanchismos e vinganças

Marina, o PV e Caetano

Histórias sobram. Narradores faltam.

A reforma fiscal do lulismo

Nem o mel e nem a cabaça (II)

Novamente a vida

Desde que abraão comeu agar

Barateamento de livros

Psicodelia e transcendência

Crises cíclicas do capitalismo

A balela do acordo ortográfico

Dois antípodas em pé de igualdade

Crítica impressionaista e jornalismo gonzo

Estereotipia contracultural

Pós pós

Minha chapa para as eleições municipais de 2008

Somos criaturas dominadas pelo mal

Não fui feito pra ser pai

Puro sangue indo-europeu

Projeção cultural

O direito de criticar tudo e a lucidez para aceitar ser criticado

O peido do bode libera pouco metano

O movimento grevista na ufpe

Pra não dizerem que não falei de literatura

O domador de abismos surfando no caos

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A mídia, seus âncoras e comentaristas

Anorexia e correlatos

Cognição das pedras

Inevitáveis aspectos negativos em reencarnações de avatares

Balangandãs, Balacubacos e Parangolés

Minha chapa para as eleições gerais de 2006

Pós-Morte

Xamãs e Canibais ( I )

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa