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Um espetáculo do Coletivo Angu de Teatro, de Recife/PE por Rita Marize Farias Texto: Luce Pereira Direção: André Brasileiro e Marcondes Lima Baseado em contos da jornalista e escritora Luce Pereira, o trabalho explora o universo feminino, seus desejos, suas fraquezas, seus amores... As tensões dos relacionamentos são postas à mesa. Despertam a alma da mulher contida no ser através do jogo e do casamento da palavra-imagem, tão bem realizados pela escritora pernambucana. O espetáculo esteve em temporada no Teatro Hermilo Borba Filho, aos sábados e domingos de 07 de maio a 18 de junho de 2011. ... Uma fala para curar a minha febre: Dois dias para baixar essa temperatura não me foram suficientes. Fui, vi, reli, revivi. O grito de Luce na pele daquelas mulheres me salta à boca, aos olhos Tem um pedaço de alma feminina em cada palavra-Luce Em Clóvis, em Dolores, em D’Or, em Clara, em Bernarda, em Renné, em Maurício, em Nínive, em Hilda, em Hermila, em Ceronha, em Márcia, em Mayra, em mim... Cai a tarde e me chego à febre Essa que não passa Me perpassa Meu corpo é sensAção, é cena É pele aberta Salgada, acordada, febril, esquartejada, escancarada, velada... Cai a tarde em mim e no tempo. Percebo a noite entre as coxas Ranjo os dentes. Fervem-me a alma Estas mulheres que não passam... Se à mostra ou veladas, estão elas, cá. Nesta mulher. Pintadas nas palavras de quem as vê Dos contos de uma, pouco a pouco vamos nos vendo em pedaços. Mas, inteiras! Mulheres! São vistas cada uma destas fêmeas que brotam na sutileza das cores Na fortaleza dos verbos Na tensão dos olhares Na dureza das relações E na leveza da inocência São vistas e se cumprimentam. Quando saio da tarde febril a noite me acena: a minha ardendo em brasa Doida para esbravejar nas palavras de Luce Me vestir de Dolores gritar como Dora dançar como Frida orar com Bernarda trocar ideias com Do Ó, digo, D'Or morrer por Maurício e por mim. ... Coluna EnCena Poesia uma visão da cena através da palavra RITA MARIZE FARIAS atriz e produtora cultural {comments}
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