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O filho

por Marilena de Castro

 

A noite acordou inquieta. Dormira exausta. Fizera um serviço extra. A barriga mexia e dentro de algumas semanas completaria nove meses, não sentia dor, apenas fisgadas entre as pernas. Estava só. Olhara pela janela do quarto e vira a rua iluminada, e vozes. Ouvia sinos. Desejava ir à igreja, mas sabia que não tinha forças.

        Bendita és entre as mulheres, bendito é o fruto do teu ventre.

Sonhou pela terceira vez com aquele homem.

Maria, Maria, ele murmurava, olhava-a nos olhos e tocara seu corpo como nenhum outro fizera. Desde o momento em que seus corpos se encontraram, jamais o esquecera.

Nos dias seguintes o comportamento mudara. Sentia alguma coisa germinar dentro do ventre. O corpo ficou mais quente, os olhos acompanhavam o desabrochar das flores, o nascer e pôr do sol como se fossem os últimos. Adormecia contemplando estrelas e dançava na lua cheia.

Ave Maria cheia de graça.

Estava cheia, plena. Engravidara. Não conhecia o homem. Chamava-o de anjo.

- Maria por que não tiras esta criança que não tem pai. Nesta profissão que temos é proibido engravidar.

Dentre tantos homens que tivera fora o único que pronunciara seu nome e beijava sua boca com tanta doçura que se entregou sem reservas. Foi embora como chegara, em silêncio, deixando a sensação de sonho e luz no quarto.

Nunca mais o encontrou nem procurou saber quem era o pai do filho, apesar das suas amigas insistirem. Pra quê? O que tinha já lhe bastava. Deixou de receber homens na cama e estava trabalhando como faxineira.

Sentia que chegara a hora. Deitou com uma dor intensa a lhe furar as entranhas e um líquido escorrendo entre as pernas. Começaram as contrações ritmadas. A barriga expandia e se contraía. Abriu as pernas. Acriança nasceu.

Chamou-o de Christiano.

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cícero Belmar