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Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente
No livro As curvas do meu caminho (2ª Edição, Editora e Gráfica Franciscana, 2004) do poeta Manoel Filó, encontra-se narrado que em abril de 1998, em Arcoverde - Pernambuco, o autor encontrou-se com o poeta Lirinha e entre uma prosa e outra, um poema e outro, Lirinha declamou estes versos de sua autoria: Toda minha visão é catingueira Minha sede é de água de quartinha Sou fantasma das casas de farinha Sou pedaço de vida em fim de feira Ave-bala que tem mira certeira Um cordel de palavra incandescente Sou a presa afiada da serpente Que cochila nos pés do cangaceiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Lirinha Para dar continuidade à peleja da Corda Virtual convocamos a todos os poetas, cordelistas e cantadores, desde que compreendam as regras da poesia popular, para glosarem o mote: Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Envie sua participação para:
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Alves Grapiúna [Itabuna-BA, 28/03/11] O meu verso é todo estudado Nas estratégias do bote da serpente A qualquer um que aqui se apresente Dou pancada com um calhau avantajado Com o meu verso eu o deixo aluado Sem os olhos pra ver o sol poente Perde os rumos das águas na corrente Sem juízo e sem conhecer dinheiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Winston Churchill Rangel, [Guarapari-ES, 17/01/11] Vivo em paz por sentença da idade Mas saudoso de guerras e pelejas Num momento como esse que enseja Das contendas matar tanta saudade, Mesmo a guerra não sendo de verdade, Não respondo por mim daqui pra frente. Que se cuidem covardes e valentes Vou capar o que eu pegar primeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Thiago E. Martins [Recife/PE, 28/10/10] No espirro que dou sai canivete! Sou papel que caboclo enrola prego, Sou o laço bem dado em um nó-cego, Sou cascudo no quengo do pivete. Sou o ferro maciço que derrete, Sobre a brasa do fogo muito quente, Que se chegar mais perto deixa a gente “Lumiado quiném” um candeeiro. Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amola do repente. Cida Pedrosa e Sennor Ramos [Recife-PE, 09/10/10] O meu verso cavalga pra além-mar Veste jeans, ouve rock e cantoria Quer viver misturando a poesia Espalhando improvisos pelo ar Pois o fim do poeta é navegar Por riacho revolto e inconseqüente Carne e verbo real e confluente Como facho de luz no nevoeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Ronald Vieira [Recife-PE, 07/10/10] Nas caatingas ecoa um gemido Do cangaço renascendo novamente Nas refregas ninguém é inocente Corta a bala e ecoa mais um grito Sinhô Pereira no sertão era um mito Vingador, demonstrou que era valente Pisou cobras, lagartos e serpente Na pisada de um grande cangaceiro ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AFIADA DO REPENTE. Kayson de Oliveira Pires [São José do Belmonte-PE, 03/10/10] Fui na borda de um morro de arenito Pra pegar uma pedra de amolar Contemplando as belezas de um lugar Que pairava além do infinito Viajando num passo esquisito Uma musa andava em minha frente Desatando os nós da minha mente Me nutrindo da verve de proseiro Esta noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. BASTINHA JOB [CRATO-CE, 28/09/10] E Lirinha inspirado pela lira Na magia do mais belo momento Escancara, de vez, o pensamento Num dístico tão forte e nos inspira Ao glosar a verdade sem mentira Num mote vigoroso e veemente Influencia a gente, simplesmente E nele pego carona bem ligeiro: ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AMOLADA DO REPENTE Maciel Carneiro [24/09/10] Lampião carregando a lazarina Não esquece o punhal do Pajeú E com ele perfura o couro cru Numa saga sonhoza e assassina A viola, contudo, é mais divina Sua corda dilata, o peito sente, Sua nota por dentro rasga a gente O poeta eu prefiro ao cangaceiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Lima Júnior [22/09/10] Com a faca da arte eu vou talhando Um momento de sonhos pré-moldados, Nas entranhas do céu, vi pendurados, Mil rosários de estrelas, clareando. Eu rasgando e o destino costurando, O que fica e o que sai da minha mente, Mas eu abro no céu da noite quente Um rasgão, e o sol cai no terreiro. Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. João Campos [Olinda-PE, 21/09/10] Se um poeta é medroso e indeciso Nunca vai escrever a sua história Não é berço que traça a sua glória É a força do verso em improviso Como faca, em dois, gumes é preciso Rasga a carne e o verbo, plenamente Dividindo, extrai o quociente E à razão, resta o grito derradeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente.
Meca Moreno [20/09/10] Pra sair duma vez desse atoleiro Com as armas da paz e da cultura Se não há contrassenso a essa altura ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO Pra acabar de uma vez co’esse vespeiro De venais enganando tanta gente Não respeito nenhum cabra indecente Se me zango provoco uma degola Eu defendo o meu verso e a viola CO’A PEIXEIRA AMOLADA DO REPENTE Davi Teixeira [20/09/10] Voarei através deste planeta Divulgando melhor nossa cultura O baião, o forró e literatura Levarei aqui dentro da maleta Mas por terra vai mais de uma carreta Co’uma faixa escrita bem na frente: “Vamos todos plantar essa semente” Que pra isso eu sou grande guerreiro ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO CO’A PEIXEIRA AMOLADA DO REPENTE Kerlle de Magalhães [14/09/10] Eu subi num arco-íris para o céu Escalei entre nuvens e um trovão De repente eu cheguei numa mansão E encontrei sob um manto, brando véu, O Deus-Pai, criador, falou-me ao léu: “Tu serás o cortante presidente Rasgarás qualquer tolo pretendente Que se atreve a glosar em teu terreiro!” Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Jorge Filó [13/09/10] Quando o manto do luto cobre o dia E a penumbra de sombra o céu invade Se instala nos becos da cidade Um torpor de escárnio e de orgia O sarau faz vibrar a nostalgia E o poeta, se arvora um eloqüente Pra reinar, ganha o verso de presente Onde o verbo põe fogo em seu braseiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Madrugada me traz a inspiração Decifrando em mim milhões de cismas E me pego no mundo dos sofismas Distinguindo a mentira da razão Quando faço, por vez, a indagação Do que em tudo concerne diferente Tudo fica mais claro em minha frente E o meu verso se torna mensageiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente.
Gleison Nascimento [13/09/10] O poeta já vem todo ajustado, Preparado prá deflagrar seu verso, Um estondo que abala o universo, e assusta quem tá despreparado. Seu talento já vem enraizado, é fatal qual veneno de serpente. com a manha da puta indescente, que te droga e leva o teu dinheiro. Essa noite eu retalho o mundo inteiro com a peixeira amolada do repente. Lula Moreira [Arcoverde-PE, 12/09/10] O Mormaço da boca da caieira O sol quente queimando a tardinha Um segredo guardado na bainha As bagagens da nuvem passageira Hoje é certo que a rima vem certeira Vem quebrando os elos da corrente Uma estrela de brilho incandescente se transforma na luz de um candeeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente Carlos Aires [Carpina-PE, 12/09/10] Com meu verso amolado igual navalha Eu consigo fazer o meu estrago Evoluo me expando e me propago Sem vacilo sem dúvidas e nem falha Eu garanto que nada me atrapalha Pois a verve esbanja em minha mente Meu veneno é igual o da serpente Quando lança seu bote traiçoeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Sou sutil igualmente um gato esperto Que num pulo sagaz e de surpresa Atacando de súbito sua presa De que não erra o salto ele está certo Seja mata fechada ou campo aberto Seja em noite escura ou sol luzente Eu por ser muito astuto certamente Também vou devorar o companheiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Eloi Firmino de Melo [João Pessoa-PB, 09/09/10] Ao nascer minha mãe disse o menino Tem um sino enfiado na garganta; Quando chora a família se levanta Ao pensar que ele está batendo o pino. Era a força engenhosa do destino Embalando o meu peito de inocente; Com a musa apontando à minha frente A viola, o cordel e o folheteiro; E esta noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolado do repente. Acredito na força e na grandeza Do cordel como forma de expressão; Como fosse o tear de um tecelão Fio a fio a tecer essa beleza; O poeta tem brilho, tem destreza E a batuta da musa por regente; E a viola acompanha o som plangente Que debulha na voz do violeiro; Nessa noite retalha o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Carlos Aires [Carpina-PE, 09/09/10] Logo cedo eu embarco num navio Pra Coréia pra China e pro Japão Depois venho pro Afeganistão Enfrentando tormenta e mar bravio E depois de enfrentar o desafio Eu aporto em outro continente Visitando a África certamente O Saara estará em meu roteiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. E dali seguirei o meu destino Mas preciso ser corajoso e forte Um camelo será o meu transporte E meu guia será um Beduíno Já que sou andarilho e peregrino Estarei retornando ao ocidente No Brasil desembarco alegremente Pois adoro esse solo brasileiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Ésio Rafael [Sertânia/Recife – 09/09/10] O MEU VERSO É A FACA NA BAINHA LUMINOSA CERTEIRA E AFIADA QUANDO PUXO ELA VEM TODA ESPELHADA SÓ RESPEITA OS DOTES DA VIZINHA CANTADOR QUE ATRAVESSA MINHA LINHA NÃO SUPORTA UM “BAIÃO” NA MINHA FRENTE PERDE A VOZ PERDE O PRUMO E A PATENTE AO SABER QUE SOU PINTO DO MONTEIRO “ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AMOLADA DO REPENTE” DUVAL BRITO [Paulo Afonso BA - 09/09/2010] Apresento-me para novo desafio, desta vez, um lindo mote do Lirinha. Esta idéia magnífica é a linha que me leva a mergulhar neste rio. Minha musa certamente pressentiu que preciso navegar nesta corrente, e dar-me-á inspiração suficiente para rimar um versejar verdadeiro. ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AFIADA DO REPENTE. No momento que recebo inspiração sou capaz de grosar rimas aversas. Até mesmo as discordâncias diversas harmonizam-se com perfeita exatidão. Fecho os olhos e vejo num clarão minha musa acenando-me sorridente. Neste instante eu a sinto tão presente que até dá para sentir o seu cheiro. ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AFIADA DO REPENTE. Eu ainda tenho cheiro de caatinga adquirido quando era agricultor. É por isso que aprecio aquele odor e me irrito se acaso alguém xinga um matuto, ou se rir de sua ginga, ou até, se lhe for indiferente. Sinto vontade de pegar o insolente e lhe bater com um galho de facheiro. ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AFIADA DO REPENTE. Jaelson Gomes [Arcoverde-PE, 09/09/10] Nordestino caboclo pajeú Andarilho de veredas perigosas Trovador de historias pavorosas E tão doce como meu e urucu Fortemente tal qual mandacaru Um jogral de falar tão envolvente Um poeta pequeno simplesmente Que não dar a ninguém seu paradeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente Lampião abençoa lá de cima O valente cangaceiro do sertão Sertanejo que tem calo na mão Verso belo tão bem domina a rima Num cavalo seguro pela crina Ligeireza de raio incandescente Rodo o mundo tão rápido que a mente Só percebe o brilho do luzeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente Parto agora Arcoverde linda terra Pra brilhar nas terras de Dubai Em Hong Kong eu encho meu balai Pra vender pelo dobro na Inglaterra Caminhando subindo pela serra E nos Andes uma vista parente Africana de jeito envolvente Me atiça de modo tão faceiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente Carlos Aires [Carpina-PE, 08/09/10] Como a África a Ásia ou a Europa A Austrália vai receber seu corte Da America do Sul e a do Norte Eu enfrento o exercito ou qualquer tropa Pois quem é bom poeta tudo topa E eu adoro um assunto diferente Esse mote pra mim foi à semente Que faltava plantar em meu canteiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Da natura eu quero destrinchar As montanhas os vales e colinas As estrelas formosas e divinas E o brilho de prata do luar As belezas que temos nesse mar E o sol radiante e reluzente No azul desse céu tão imponente Cinco estrelas no sul formam o cruzeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. BASTINHA JOB [CRATO-CE, 08/09/10] E o Lirinha inspirado pela lira Na magia do mais belo momento Escancara, de vez, o pensamento Neste dístico forte e nos inspira Ao glosar a verdade sem mentira Num mote vigoroso e veemente Influencia a gente simplesmente E nele pego carona bem ligeiro: ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AMOLADA DO REPENTE. Marcone Melo [08/09/10] Todo dia eu desmancho uma peleja pois, na vida há muitos desatinos. Ainda ontem matei quatro felinos Que acuavam minh’alma sertaneja. Só escapou a saudade, que fareja As lembranças que guardo em minha mente. Mas, se ela der um bote em meu presente Agirei como age um violeiro, Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente. Publius Figueredo [08/09/10] Feito a espora afiada de um galo Vou na rinha e na rima pelejando Sou o verso e sou prosa duelando Toda a gente se cala quando falo Minha voz de trovão faz um abalo Pois a luz na palavra está presente cada sílaba é uma estrela incandescente Recortando o universo bem ligeiro ESSA NOITE EU RETALHO O MUNDO INTEIRO COM A PEIXEIRA AMOLADA DO REPENTE Ademar Rafael Ferreira [Marabá-PA, 07/09/10] Esta noite eu falo da Turquia, Da Itália, da China, da Espanha, Da Suécia, do Brasil, da Alemanha, Do Japão, do Irá e da Hungria. De Pará, Piauí e da Bahia, De Dourados, Parati e São Vicente, De Barbalha, Serrinha e de Valente, Petrolina, Custódia e Juazeiro Essa noite eu retalho o mundo inteiro Com a peixeira amolada do repente
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