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Perco em luz, minha recusa / Nego ao dia, a noite invado
Para lembrar os 50 anos de encantamento do poeta Carlos Pena Filho (1929-1960)

 

SONETO

O quanto perco em luz conquisto em sombra.
E é de recusa ao sol que me sustento.
Às estrelas, prefiro o que se esconde
nos crepúsculos graves dos conventos.

Humildemente envolvo-me na sombra
que veste, à noite, os cegos monumentos
isolados nas praças esquecidas
e vazios de luz e movimento.

Não sei se entendes: em teus olhos nasce
a noite côncava e profunda, enquanto
clara manhã revive em tua face.

Daí amar teus olhos mais que o corpo
com esse escuro e amargo desespero
com que haverei de amar depois de morto.

Carlos Pena Filho

 

O Interpoética homenageia o autor de Desmantelo azul, jogando na corda um mote do poeta Jorge Filó, a partir da releitura do soneto acima.

Convocamos a todos os poetas, cordelistas e cantadores, desde que compreendam as regras da poesia popular, para glosarem o mote:

Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

 

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Polion de Caicó [03/09/10]

Sozinho, fico a pensar
Se de fato ela sabia
Pois não busco companhia
Sem ter amor para dar
Mas se veio procurar
O que eu tenho guardado
Sempre estarei acordado
Farei de ti, minha musa
Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

 

Wellington Vicente [Porto Velho-RO, 24/08/10]

Sou seresteiro soturno
Por um amor irreal
Que seria o ideal
Para o poeta noturno
O ambiente diurno
Nunca foi do meu agrado
À noite fico inspirado
Pensando na minha musa.
Perco em luz - minha recusa

Nego ao dia, a noite invado.

 

Susana Morais [Recife-PE, 23/08/10]

Eu acordo no escuro
Tateando a poesia
Quando o dia principia
Vejo um poema imaturo
De palavras inseguro
D’um rimar inquietado
O poema se faz fado
Noite e dia que se cruza
Perco em luz – minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

E me isolo em solidão
Meu pensar é adverso
Não escuto nem converso
Busco apenas amplidão
Acho o sol na imensidão
Rogo à lua apaixonado:
- Não enterre meu passado
Pois minh’alma é tão difusa
Perco em luz – minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

 

Ésio Rafael [17/08/10]

A NOITE EMPRESTA SEU COLO
PRA DAR COLO A BOÊMIA
ESSAS PANTERAS "VADIA"
DE ÁLCOOL CIGARRO E DOLO
AS LUZES TÔSCAS DO POLO
EMBAÇANDO O SONHO ALADO
O DIA CAIU PESADO
DENTRO DA NOITE INCONCLUSA
"PERCO O SOL MINHA RECUSA
AO DIA A NOITE INVADO".

 

Jaelson Gomes [Arcoverde-PE, 17/08/10]

Sigo andante estrada afora
Não entendo canto algum

Por não querer ser nenhum

Dos que antes tinham aurora

Se agora vou embora

De outra hora chegado

Se estou apavorado

De nada tu me acusa

Perco em luz, minha recusa

Nego ao dia, a noite invado

Lua nova me deseja
Lua cheia foi embora

Mingua alma e a demora

Tão crescente como esteja

Escuros versos da peleja

São cosmos despedaçados

Estrelas por todo lado

Retifiquei minha musa

Perco em luz, minha recusa

Nego ao dia, a noite invado

 

Kerlle de Magalhães [13/08/10]

Vem a noite embriagada
Consistindo o movimento
Envolvendo um tempo lento
No chegar da madrugada
Minha vida enluarada
O meu ser descontrolado
Boemia, meu legado
Qual me feri... me cura e usa
Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

 

Meca Moreno [12/08/10]

Dos contrastes sou a chave
O entardecer me seduz
Vivo entre o credo e a cruz
No acorde inverso da clave
Nas profundezas da nave
Que me manterá guardado
Soturno e amargurado
Na bruma fria e difusa
Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

 

ADEMAR Rafael Ferreira [Marabá-PA, 11/08/10]

Em noite de pescaria
Longe do meu Pajeú
Nas barrancas do Xingu
Me encanto na magia
Que a luz da lua cria
Ao clarear o banhado
Sobram Jaú e Pintado
Faltam Corró e Merluza
Perco em luz – minha recusa
Nego ao dia, à noite invado.

 

Josenir Lacerda [11/08/10]

A noite é sombra, é mistério
Que assusta e acalenta
Sob a coberta que esquenta
Vem do sonho o refrigério.
Os sinos no monastério
Grito de bronze calado
Silenciam o lento fado
Pra não espantar a musa
Perco em luz, minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

 

Thiago Emanoel Martins [Recife-PE, 10/08/10]

Lanço ao vento minhas dores
Que voando feito pluma
Cai no solo e se apruma
Entre as folhas dessas flores.
Tom em branco, furta-cores
Amarelo, verde, pardo,
Doce, insosso, podre, amargo
Latente, sórdida- intrusa
“Perco em luz, minha recusa
Nego ao dia, a noite invado.”

 

Bastinha Job [Crato-CE, 10/08/10]

Meio século decorrido
Da morte de Carlos Pena
Sua poesia serena
De suave colorido
Dá à vida mais sentido
Num ritmo cadenciado
No verso metrificado
Que do lirismo abusa
PERCO EM LUZ, MINHA RECUSA
NEGO AO DIA, A NOITE INVADO

 

Luciano Santos [09/08/2010]

A treva, ao molhar meu rosto,
Anuncia a noite espessa;
Sou noturno, não se esqueça:
Vivo em fel e em desgosto;
Aziago vento de agosto
Que me tem predestinado,
Dia a dia desgraçado,
Preterido pela Musa,
Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado  

Trago o Mal no olho rútilo,
Rubro, em lágrimas medonho;
O Nada eterno, suponho,
Me fará maldito e lúcido
E será meu corpo pútrido
De chagas vivas crivado;
Danada a alma - eis meu fado:
Beijo o crânio da Medusa,
Perco em luz, minha recusa,
Nego ao dia, a noite invado

 

Eloi Firmino de Melo [João Pessoa-PB, 09/08/10]

Não guardo mágoas comigo
Nem bato palmas pro medo.
Quem não corre, chega cedo;
Quem se apressa, chocha o umbigo.
Nessa pisada eu consigo
Deixar o estresse de lado.
Com um vinho tinto gelado
E os meigos braços da musa
Perco em luz, minha recusa
Nego ao dia, a noite invado.

Vão desculpando a ousadia
Deste poeta sem brilho;
É que Carlos Pena Filho
Certamente merecia
Por dever de cortesia
Fazê-lo homenageado.
Cinqüenta anos passados
Que se fez calar a musa.
Perco em luz, minha recusa
Nego ao dia, a noite invado.

 

Carlos Aires [Carpina-PE, 09/08/10]

Nos raios do sol nascente
No final da madrugada
Retorna a sua morada
Recolhe-se rapidamente
Pois no brilho reluzente
Sente-se incomodado
Pra o boêmio embriagado
A claridade é intrusa
Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado

A noite chega atraente
Trazendo a gostosa brisa
É tudo quanto precisa
Um o ébrio impertinente
Que no escuro se sente
Muito mais acomodado
O bar seu lugar sagrado
A bebida é sua musa
Perco em luz - minha recusa
Nego ao dia, a noite invado


Cida Pedrosa [08/08/10]

No escuro faço morada
do avesso faço o rumo
a morte é norte e é prumo
com sua seta apontada.
Rota ao destino, traçada
na faca. Gume afiado
cortando o céu estrelado.
Esperando a fria intrusa
perco em luz - minha recusa
nego ao dia, a noite invado.

 

Luiz Carlos Monteiro [06/08/10]

 

O mote aqui sugerido

Não é fácil desenvolver

Pois envolve a recusa do ser

A ficar só assim repartido

No sopro da luz do vivido

E na sombra de fel do passado

Que Filó fez em pé ou deitado

Pedindo a Pena sua musa

Perco em luz, minha recusa

Nego ao dia, a noite invado

 

Jorge Filó [06/0810]

Adentrando o mar sombrio
Quando o relógio em pancadas

Tine as doze badaladas

Minh’alma se enche de estio

Quando, nos ossos, o frio

Me obriga ao gole fadado

Sigo até o triste dado

Quando a noite se reclusa

Perco em luz - minha recusa

Nego ao dia, a noite invado

 

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Tem muita sombra indo embora / Num caminhão de madeira

Na terra é difícil um ninho / Mas no céu tem de Cancão

São retratos verdadeiros / Das coisas do meu sertão

Só meu casebre pequeno / Papai Noel desconhece

Baixa a face o pranto desce / Ao som da Ave Maria

A natureza tomou / Tudo quanto tinha dado

Dorme junto aos teus pés o meu ciúme / Enjeitado e faminto como um cão

Mergulhei pra ver Narciso / No espelho do meu lago

Quem não pode com o mote / Não pega na redondilha

Essa noite eu retalho o mundo inteiro / Com a peixeira amolada do repente

Perco em luz, minha recusa / Nego ao dia, a noite invado

Dois poetas brigando o povo chora / Com vontade de ouvi-los novamente

Nessa vida de vaqueiro / Todo mundo é carnaval

Vi a porteira do mundo / Entre as pernas da mulher

Coveiro sem esperança / Não sepulte o meu passado

E no visgo do improviso / a peleja é virtual

Demos viva! ao Mestre Vitalino / Que com arte enricou nossa cultura

A marreta da morte é tão pesada / que a pedreira da vida não aguenta

Quero César Leal me abençoando / Pra tornar imortal minha geração

No tereiro da paz Salu descansa / Silencia a rabeca genial

Que na gravura em madeira / Esse Samico é um danado

Amanhã vá no cartório / passar seu cu pro meu nome

Nesta cidade cadela / Chico deixará saudade

Allan Sales x Susana Morais

Pinto do Monteiro x Severino Milanês

Cego Aderaldo x Zé Pretinho dos Tucuns

A peleja entre a Velha do Bambu e o Velho Mangote através da internet

Peleja de Riachão com o Diabo

Ignácio da Catingueira x Romano da Mãe D'água


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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cícero Belmar