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A biblioteca vai mudar
por Cícero Belmar

 

1 - Fundada em 1852, a Biblioteca Pública do Estado ainda não está incluída, mas quer se firmar no calendário cultural do Recife. É com este objetivo que vai realizar, a partir de setembro, uma reforma na infraestrutura do prédio, no Parque 13 de Maio.

2 - Com 270 mil volumes, entre os quais 15 mil são obras raras, a Biblioteca tem uma frequência diária de 1.200 pessoas (em todos os setores, da biblioteca virtual à consulta) e empresta cerca de 3 mil volumes por mês. Esse número aumenta em épocas de concursos.

3 - Mas a ideia é que ela deixe de ser apenas o local onde estudantes carentes vão estudar em época de provas e aposentados leem jornais gratuitamente. Não que isso seja ruim. Mas limita muito a utilização de um equipamento público que se pretende ser um centro de educação permanente.

4 - A diretoria da biblioteca concorreu ao edital do Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura, e aprovou projeto para construção de anexo para ações culturais. Terá um auditório para 200 lugares para palestras, conferências e um miniauditório para cursos.

5 -Além desse prédio novo, toda a infraestrutura do que já exite será mudada, com climatização dos ambientes. O mobiliário também será renovado. Por isso, muitos serviços não funcionarão durante a reforma que está prevista para durar oito meses. A visita ao acervo será mantida.

6 – O projeto ainda prevê a compra de novos equipamentos, aquisição de acervo bibliográfico, nova organização do acervo e ampliação da biblioteca virtual para pesquisa e informação.

7 - Quando for concluída a reforma, terá valido a espera. A  gerente executiva, Roberta Alcoforado, informa que nos novos espaços serão realizados eventos como saraus literários, encontros de escritores, lançamentos, debates com leitores sobre obras dos pernambucanos e exposições bibliográficas e temáticas.

8 - Ou seja: a Biblioteca Pública do Estado também quer movimentar a cena literária do Recife. E reforçar a missão de divulgar os escritores pernambucanos. Em outras palavras, valorização.

9 - O que é muito bom para todos os lados. Para os escritores, que ganharão um novo espaço numa cidade carente de serviços públicos na área cultural. Para a biblioteca, que agregará mais público, diversificará suas atividades, ampliará sua missão e eficácia pública.

10 - Principalmente  ganhará a população, que terá a sua disposição um serviço melhor. Justiça seja feita: o acervo e o pessoal da Biblioteca Pública do Estado são qualificados. Mas a preocupação de melhorar o serviço é louvável, principalmente num espaço que funciona como centro de convergência cultural.

11 – A partir desta reforma, a Biblioteca Pública do Estado certamente vai se destacar entre as melhores do Nordeste. Fortaleza, Maceió e Salvador já têm bibliotecas modernas e com excelente reputação.

12 – Estou aproveitando o espaço da minha coluna na Interpoética para divulgar os meus contos curtos. Aliás, curtíssimos.  Segue mais um, abaixo. Boa leitura!

 

O pequeno engraxate

Era um barzinho com cadeiras na calçada e o menino chegou com a caixa de engraxate. Perguntou ao pessoal da mesa vai uma graxinha? Um homem quis, estendeu a perna e colocou-a sobre a caixa de madeira. O garoto limpou o sapato com um pano umedecido, retirou a sujeira, depois aplicou a graxa nas partes de couro, com muito cuidado para não tocar na borda do solado. Com uma flanela limpa, lustrou vigorosamente até o sapato ficar brilhoso. Bateu na caixa, o homem trocou a perna. Enquanto ele repetia todo o serviço, o pessoal da mesa se perguntava que país é esse com criança trabalhando? Ainda mais à noite! Lugar de criança devia ser na escola! E à noite, em casa, no aconchego, protegido! Aquilo era resultado de uma sociedade que não respeitava os direitos das crianças! Ao final, os sapatos estavam perfeitos! O menino disse no capricho! O homem perguntou quanto lhe devo? O menino respondeu cinco reais, freguês! O homem ficou furioso e perguntou-lhe está pensando que sou idiota, moleque? Isso vale dois reais e olhe lá. Calado, o menino recebeu o dinheiro e foi para a mesa seguinte.

 

COLUNA LETRA DURA

CÍCERO BELMAR
é escritor e jornalista

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 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa