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Não alimente com pedras Uma estrada de terra Ou ainda que de barro Se antes não passava carro Desse modo, vai torná-la Transitável! por Geórgia Alves Caros Amigos, Estou tão grata com o mundo. Talvez porque choveu e alguém me abriu o guarda-chuva e amanheceu soprando vento bom. Brisa do mar. Em geral, são passarinhos que me despertam. Ou ainda um beija-flor atrevido que faz toc-toc à minha janela, devagarzinho. Dessa vez foi sintonia fina de música ucraniana que me trouxe até aqui. Romeu do alto de pouco mais de meia dúzia de anos, sentenciou a única ausência da noite. "Por que não tem telescópio? Luneta? Qualquer coisa para gente olhar mais de perto as estrelas?" Boa pergunta, Romeu. Talvez porque, finalmente, entendi. Sempre estiveram todas ali. E eu sou apenas um planeta. Mesmo que tão cheio de vida e de gente. E tudo tornou-se possível. E fez-se bom tempo com o verbo. "É triste a dor de partir e eu te direi boa noite até que seja dia", diria Romeu. Ou ainda: "Boa noite, boa noite, boa noite! A despedida é dor tão doce que ficarei aqui te dizendo boa noite até que seja dia". Para que fosse completo, escaparia de seus lábios finos: "Estou ouvindo algo! Será o Rouxinol, o arauto da manhã, ou a cotovia? o certo é que vem amanhecendo o dia!" Fiquei com a certeza de “filme” que eu desenhei em imagens coloridas e em preto e branco. De um guarda-chuva e suspensórios vermelhos. Chegou o arauto da manhã. E vou embora sem que me permita dizer. Ali esteve a manhã da criação. Num Carnaval. Coluna dacordafelicidade GEÓRGIA ALVES é jornalista e especialista em literatura brasileira.
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