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O aleatório na agulha e no calor da terra
por Geórgia Alves

 

Minha escrita se interessa cada dia mais pela matemática. Por isso, até eu que sou leiga já tinha ouvido falar no problema conhecido como a agulha de Buffon.

Nascido no dia 07 de Setembro de 1707, Montbard, George-Louis Leclerc, o conde de Buffon viveu os últimos dias de sua vida em Paris. Morreu no dia 16 de Abril de 1788, aos 81 anos. O matemático francês propôs e resolveu esse problema em 1777. A pergunta, que deu início a tudo foi: "Suponha que você tenha uma folha de papel pautada sobre uma mesa, onde as linhas das pautas são espaçadas por uma distância fixa. Uma agulha, de comprimento, rigorosamente igual ao espaçamento entre as linhas, é jogada, inteiramente ao acaso, sobre a folha de papel. Qual é a probabilidade de que a agulha caia sobre a folha de modo que intercepte uma das linhas?"

E eis o número π.

Vinte e dois anos antes do problema da agulha, Buffon já se preocupava com a terra, e em 1755 pensava nela e nos planetas do Sistema Solar. Como nasceram? Qual o motivo do seu aquecimento interno. O que ocorreu a Buffon, e outros da época: nossos planetas nasceram de uma porção arrancada do Sol. E depois, com o distanciamento teriam arrefecido, restando apenas um calor interno suficiente para justificar a origem da massa existente no interior dos vulcões: a ígnea do granito.

Interessante os problemas que habitavam o dia – a- dia desses naturalistas. Outros se ocupavam de perguntas semelhantes como René Descartes (1596-1650), e pouco tempo mais tarde, Pierre Laplace (1740-1827). Para este a origem da terra era” nebular”. Teoria que durou até o século XX quando Emmanuel Kant (1724-1804) resolveu questionar isso de um planetinha tão redondo e inteirinho em suas formas serem apenas pedaços desgarrados da grande estrela do sistema solar. Para Kant, a Terra, a exemplo dos outros planetas, teria sido formada “no estado de fusão, por condensação de uma nébula primitiva, logo – e nisso está todo segredo -, justifica-se a existência desse calor interno presente nas teses plutonistas”.

Como vivia num período ainda obscurecido, o filósofo alemão Gottfried W. Leibniz (1646-1716), no livro chamado Protogea, publicado em 1680, afirmava que esse fogo já havia se extinguido. Pensava ele: “já houve um arrefecimento total do planeta e seu interior está apenas preenchido por vidro”.

Gottfried tinha enorme prestígio, e arranjou uma concepção de Terra fria em concordância com o desejo de controlar a força das tentações censórias tão temidas pelo poder religioso. O sr. Leibniz, soubesse ou não, ele mesmo arrefecia o crescimento de uma certeza do calor interno terrestre que já havia tomado conta dos plutonistas.

O mais incrível é que sendo dessa mesma época, um jesuíta, pasmem, Athanasius Kircher (1602-1680), ao contrário de Leibniz, no livro Mundus Subterraneus (1644), corajosamente afirmava a existência de um “fogo verdadeiro e natural”, localizado no centro da Terra. “Fogo esse que comunicava com reservatórios menos profundos que alimentavam a atividade dos vulcões”.

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GEÓRGIA ALVES
é jornalista e especialista em literatura brasileira.

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Editores:

 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cida Pedrosa