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por Geórgia Alves Em artigo sobre a origem do perfume e sua evolução no tempo/espaço a repórter Beatriz Yoshimura explica que tudo começou com uma “invocação dos Deuses” com auxílio do fogo e, por conseguinte, da fumaça. "Os homens (...) queimavam ervas, que liberavam diversos aromas. Foi neste contexto que surgiu a palavra “perfume”, em latim "per fumum", que significa "através da fumaça". Mais tarde, diversas ervas compunham banhos aromáticos, pomadas e perfumes pessoais dos egípcios. Mas foi Cleópatra quem eternizou a arte da perfumaria, ela seduziu Marco Antônio e Julio César usando um perfume à base de óleos extraídos das flores de henna, açafrão, menta e zimbro". Beatriz também cita que materiais foram usados no princípio dos tempos, para conquistar os aromas; “No início o perfume era à base de ceras, gorduras, óleos vegetais e sabões misturados a ervas. Com a descoberta do vidro, no século I, os perfumes ganharam uma nova cara, reduzindo sua volatilidade e ganhando formas e cores”. Também fornece dados históricos importantes nessa trajetória de evolução para adquirir o máximo das essências em seus elementos originários. E isso faz lembrar o filme, que esteve há pouco em cartaz. O que os homens não foram capazes de fazer. Bom, em dados históricos uma nova etapa no processo de extrair essências se deu por volta do século X: “Avicena, o mais famoso médico árabe, descobriu a destilação dos óleos essenciais das rosas, e assim criou a Água de Rosas. Depois veio a Água de Toilette, feito para a rainha da Hungria. No século XIX o perfume ganha novos usos, como o terapêutico” Observadora contundente, Beatriz Yoshimura, abre um importante parágrafo na sua matéria especial para tratar sobre A magia dos cheiros. É quando insiste: ”Mais do que revelar a personalidade de uma pessoa, o perfume influencia o estado de espírito de todos nós. Ao penetrarem pelas narinas, os aromas encontram o sistema límbico, responsável pela memória, sentimentos e emoções. Quando uma mensagem aromática penetra neste sistema, provoca sensações de euforia, relaxamento, sedação ou estimulações neuroquímicas”. E relata a íntima ligação entre o que se compreendeu por muito tempo como sistema límbico, chamado de “cérebro das emoções”. Ativado pelos aromas que são capazes de interferir em condições de tensão e nervosismo. Beatriz cita o famoso aroma de lavanda: “é capaz de nos relaxar e nos induzir ao sono, ajudando em casos de insônia. Quando estamos apáticos, deprimidos, infelizes, o aroma de bergamota pode ajudar na recuperação. Aromas de limão, vetiver, eucalipto e alecrim melhoram a concentração, enquanto os de alecrim aliviam o cansaço”. Tudo isso é para, de minha parte, partilhar a descoberta de artigo, de Emanuel Meireles Vieira, intitulado: Fotografias de Perfumes: Uma compreensão Clariceana de Conceitos da Abordagem Centrada na Pessoa de Carl Rogers. Emanuel Vieira examina o livro Água Viva (Rocco, 1973), de Clarice Lispector, aquele que impregnou em Cazuza, sob a luz do artigo de intitulado “Objetivo: a pessoa em pleno funcionamento”. (Carl Rogers) Com o cuidado de explicar que não qualquer intuito de declarar que “Rogers foi influenciado por Clarice Lispector, ou vice-versa, mas apenas de mostrar o quão útil pode ser a literatura para nos fazer compreender conceitos que cientistas não o conseguem com a mesma precisão e empatia dos literatos”. Emanuel começa diferenciando os conceitos da “compreensão e explicação”. Para em seguida do encaixe entre a descrição de Rogers (idem, p.264) sobre a “aberturaà experiência, ao novo, ao imprevisível, ou no contexto do qual estamos falando, uma tentativa de criar o próximo acorde, sem saber muito bem os acordes seguintes, senão no momento em que estão acontecendo; portanto, quando se descobre o acorde, ele já é passado, pois quando se dá o instante-já, este “é” o instante-já; nós sempre chegamos atrasados com relação aos nossos sentimentos”. Textualmente aqui: “Na pessoa aberta à sua experiência [...] todo estímulo quer se origine dentro do organismo, quer do meio ambiente, transmite-se, livremente, através do sistema nervoso, sem ser distorcido por um mecanismo de defesa [...[ quer seja [...] uma sensação visceral de medo, de prazer ou de desgosto, a pessoa estaria vivendo-o, tê-lo-ia inteiramente acessível à consciência”. Enquanto Clarice, ou a personagem que através do livro é um eu dialogando com um outro relata a experiência iniciada “as cinco madrugada, de hoje, 25 de julho” o que traduz como: “cai em estado de graça”. Assinalando: “Foi uma sensação súbita, mas suavíssima. A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um suspiro do mundo. Não sei explicar assim como não se sabe contar sobre a aurora a um cego. É indizível o que me aconteceu em forma de sentir: preciso depressa de tua empatia. Sinta comigo. Era uma felicidade suprema”. (grifo meu) Emanuel suspeita: “Clarice parece se entregar ao devir que é nossa existência”, e lembra explicação de Rogers sobre este processo ao afirmar que “alguém se torna participante e observador do processo de experiência organísmica, em vias de desenvolver-se, em vez de controlá-lo”. Usando, novamente, das palavras de Clarice, não mais da página 79, mas da página 62: “E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que de desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estágio primeiro de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me”. Uma experiência de desorganizar e organizar que está presente também na Paixão segundo G.H.(pág.98). Onde convida: "Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio. Não era usando como instrumento nenhum de meus atributos que eu estava atingindo o misterioso fogo manso daquilo que é um plasma - foi exatamente tirando de mim todos os atributos, e indo apenas com minhas entranhas vivas. (...) Concluindo em perfume e exalação do que passa, vai além dos poros. Ultrapassa a “pele fina” da escrita e impregna: “Para ter chegado a isso, eu abandonava a minha organização humana - para entrar nessa coisa monstruosa que é a neutralidade vida." Coluna dacordafelicidade GEÓRGIA ALVES é jornalista e especialista em literatura brasileira.
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