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por Geórgia Alves Qual a mágica de fazer uma criança andar de bicicleta sem rodinhas? Como se dá aquele instante do pulo do gato, ou de aprumo do menino que descobre nele a confiança necessária para livrar-se das muletas circulares? É que fala nele a voz do bicho antes quieto lá dentro do peito. Vai ver só decidiu o equilíbrio e a força para domar a tal, sem rodinhas. Paulo Caldas dizia ao filho mais velho, hoje engenheiro formado, “todo homem tem um bicho dentro dele”. E todo bicho tem uma função. No livro A República dos Bichos, o herói não é leão ou tigre-de-bengala. Com habilidade, neste e outros livros sabe conduzir o tênue fio de conexão no espaço entre a realidade e a fantasia. A estória é de um super-herói resistente, “sem pistolas”. Dono de sabedoria singular. Dizer que é “inteligência emocional” despreza a escolha de uma medida exata do raciocínio das delicadezas no trato com a política? Bom, o certo é que Paulo Caldas, ele mesmo tornou-se ele, essência da rapadura produzida “pelas bandas daqui”. Inaugurando em 1984, junto com Arnaldo Afonso (também Inês Koury e Elita Ferreira – in memoriam ), as Edições Bagaço. Caldas do doce extraído do meio moído. Nasceu naquele ano, Era uma vez um quintal, no ano seguinte, Era uma vez a Fazenda-. Em1985, Asas pra que te quero, e em 1991, República dos bichos. Depois veio Destino Cidade (1993), O fascínio da caixa preta (1994), no mesmo ano Alma de artista, A tecla sigma (1995), Flores para Cecília (1996), As faces do escorpião (1997), A cor da pele (2000), O sol além da minha rua (2003) e Um anjo chamado Alegria (2005), todos com o selo das Edições Bagaço, Pernambuco. Publicou ainda Esses bichos maravilhosos e suas incríveis aventuras, em 88(com sete edições) pela Atual Editora, de São Paulo. São 25 anos dedicados à ficção literária, incluindo o próximo lançamento, “A Lua em Sagitário”, que acontecerá na Usina 2 Irmãos, depois da Bienal. Sobre o primeiro sopro de criação às vésperas da Primavera, naquele mês de setembro, daquele ano de 82, lembra: “Apresentei no colégio Helena Lubienska o protótipo do meu primeiro livro infantil, Era uma vez um quintal, ediçãozinha pobre, selo (ed.) Pirata”. Um mês depois lançava na Praça de Casa Forte, primeira versão “mostrando valores como liberdade, solidariedade, respeito à natureza”. Paulo também é “dono” dos anos sessenta do Recife, graças a No Tempo do Nosso Tempo, crônicas com Evaldo Donato sobre a “inesquecível” juventude do Recife nos anos 60 – ou será o contrário. Foi pelo mesmo selo Edições Pirata. Que não era pirata da perna de pau, nem pirateia nossa rapadura. Ao contrário, legitima a produção dos autores locais com selo respeitado no país por outras editoras. A idéia de ser bagaço Paulo conheceu. Vide Anatomia do Baixa Renda, sobre recifenses suburbanos. Já ia se interessar pela classe média quando foi tomado pelo lançamento de livros infantis no bairro de Casa Forte, em 1982. Mais sobre Caldas, pergunte a gente com um bicho (e dos bons!) dentro, como Antônio Falcão, Luiz Berto, Domingos Alexandre, Maurício Melo Júnior - de Brasília - e Gilvan Lemos Jessier Quirino e Raimundo Carrero na Oficina de Criação Literária, há seis anos. O site www.paulocaldas.com.br. E Parabéns! Coluna dacordafelicidade GEÓRGIA ALVES é jornalista e especialista em literatura brasileira.
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