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Alberto da Cunha Melo

(1942 Jaboatão dos Guararapes/Pernambuco - 13.10.2007 Recife/Pernambuco)

seu acervo poético encontra-se em:  
www.plataforma.paraapoesia.nom.br  
www.albertocmelo.com  
www.trilhasliterarias.com  

  

Canto dos Emigrantes

Com seus pássaros
ou a lembrança de seus pássaros,
com seus filhos
ou a lembrança de seus filhos,
com seu povo
ou a lembrança de seu povo,
todos emigram.
De uma quadra a outra
do tempo,
de uma praia a outra
do Atlântico,
de uma serra a outra
das cordilheiras,
todos emigram.

Para o corpo de Berenice
ou o coração de Wall Street,
para o último templo
ou a primeira dose de tóxico,
para dentro de si
ou para todos, para sempre
todos emigram.

         Alberto da Cunha Melo

 

 

POEMA

para Alberto da Cunha Melo

Eras uma galeria de espelhos
onde me via e ouvia repercutida.
Em Tua morte, pacífica e diária,
o meu nome escrito.

Assim era e agora
receio tenhas ido, horizontal e anônimo
(frente ao medo, mais alto que o meu grito)
Dessa casa de mortos, dessa casa
                                    desonrada e sem ódio

         Celina de Holanda

 

 

rascunho para o poeta alberto da cunha melo

muitos já falaram de ti
coisas tão lindas
tecidas em manhãs
e texturas de acácias

da tua têmpera
e do quanto o meu povo
é refeito por ti
em teus poemas

da tua fraternidade
a lembrar que todos emigram
ou do quanto pode ser amargo
o que levamos a sério

o que eu
poeta menor
viandante das ruas
de verso trôpego e inacabado
posso dizer de ti?

nada, meu poetamigo

esqueço das palavras
e vejo por baixo dos teus óculos
a centelha do poema
e rogo que a timidez da tua língua
se parta ao toque do copo de conhaque

         Cida Pedrosa (julho de 2007)

 

 

JOSÉ ALBERTO TAVARES
POR QUE FOSTES TU EMBORA
PRA MUITO ALÉM DO CREPÚSCULO
DEIXANDO AQUI A AURORA
VAIS ENCONTRAR BENEDITO
CELINA NO CÉU BENDITO
ONDE CARLOS PENA MORA.

         Ésio Rafael - confira o artigo ALBERTO...

 

 

 

Sobre o poema...
O conhecia na voz do nosso Lirinha...
Mas,
o rascunho...
Singelo...
Como quem conhece os caminhos de um poeta,
como quem vive,
como quem tropeça nas mesmas pedras..
como quem intercede pelo poeta amigo,
e jamais desiste de ser poeta.

         Lesselis

 

 

CANTARES

               para Alberto Cunha Melo

...todos emigram.
Nessa direção,
um pássaro de asas largas
ganha a imensidão do tempo.

         Graça Graúna

 

 

ALBERTO DA CUNHA MELO

Condenação e sacerdócio
Fazem de alguns homens Deus,
Onipresentes nas veias
Do universo ateu.

E nas plagas da ausência
Descortinam intenções
Nunca, jamais percebidas,
Incrustadas nas ações.

Santificam heresias
Em planos da divindade
E apesar de altos vôos
Só do chão cavam verdade.

E até parecem gratos
Da condenação de ver,
Assim como a assumir
Um sacerdotal dever

De levar fogo ao trono
Fazendo acordar do sono
As colônias do poder

         Ivan Marinho

 

 

Homenagem ao poeta Alberto da Cunha Melo
A quem devo muito mais do que agente pensa…

Em outubro o poeta emigrou
Foi embora para Pasargada
No reino de Parnagada
Um poema urbano escreveu
Viveu nesta vida valeu!
Transitou com ousadia
Espalhou sua rebeldia
Naquele verso tão belo
Alberto da Cunha Melo
Morreu em nome da poesia.

         Héctor Pellizzi

 

 

Meu irmão, que pena!

Passou pro lado de lá
o nosso poeta Alberto
pensando em nossa amizade
eu choro e meu peito aperto.
Mas esse poeta amigo
no ceu ele tem abrigo
eu digo isso e acerto.

Ele sempre está por perto
com aquela sua alegria
porque continua vivo
no verso de cada dia,
principalmente ao saber
que nós poderemos ler
sua eterna poesia.

Com meus sentimentos e meu fraternal abraço,

         Valdeck de Garanhuns

 

 

Reencontro

Beatriz Brenner

Cresci vendo a alegria do meu pai ao receber Alberto em nossa casa da Ilha do Leite. Eu, ainda pequena, interessada em outras coisas, sei lá em que eu era interessada, os via juntos sempre com um livro aberto, cabeças inclinadas, olhos entrecruzados.

Via-os sempre próximos à estante repleta de livros. Era ali mesmo que se mantinham por horas. Para mim, na idade que tinha, não alcançava o que aqueles dois podiam estar fazendo. Sobre o que conversavam. Conversa de adultos. Conversa distante, bem distante de mim. Para eles, entendo agora, o tempo passava rápido.

Alberto levava os filhos com quem eu brincava. Aí sim, era bom. Eu brincava e para mim o tempo também passava rápido.

Às vezes os ouvia rindo. Riso de gente grande. Eu não podia alcançar porque riam. Talvez por algo nos livros os fazia rir. Não sei. Suponho. Dos estilos, dos prefácios, das orelhas. Do deleite do poema a sua frente. Não sei. Não sei porque riam. Ou da alegria de estarem juntos, simplesmente. Da perfeita sintonia que os unia. Sei lá, eu, naquele exato momento, atravessava correndo por dentro do gabinete de meu pai, por entre Alberto e ele. Por baixo do livro aberto que seguravam e compartilhavam a leitura. Passava outras vezes e várias outras vezes porque o gabinete ficava entre a sala de estar e a saída que dava para o quintal das fruteiras. E eles nem percebiam, tampouco percebiam os meus amigos que também seguiam o mesmo percurso.

Estavam absortos na leitura. Bom pra mim, bom pra eles, os filhos de Alberto. Suávamos, lambuzávamos de tanto correr. E assim passávamos a tarde ou a manhã quando Alberto ia em nossa casa.

Alberto, agora, na casa do Pai, onde o meu pai já vem habitando há algum tempo, mais uma vez proporcionará felicidade a ele pela sua chegada. Sei que lá não será diferente. Geraldino Brasil o convidará à estante repleta de livros que serão abertos, lidos, discutidos. Rirão. Estarão felizes pelo reencontro. Felicíssimos, até. Darão um abraço fraterno, amigo, de amigos que há muito não se viam, mas que agora estão certos de que o tempo não passará rápido tal na casa da Ilha do Leite.

Lá, na casa do Pai, o tempo inexiste e assim eles não precisarão do amanhecer, tampouco do anoitecer para que lhes anuncie a hora da chegada e, pior, a hora de partida.

E é isso o que verdadeiramente importa.


Geraldino Brasil e Alberto da Cunha Melo em 1979

 

 

ODE AO ALQUIMISTA DE CASA CAIADA,
O POETA ALBERTO DA CUNHA MELO

Daqui, das margens do Cachoeira, eu brindo ao bardo
que vivente sob os mangues do Capibaribe
teve a bravura de ser entre todos o mais sublime e profundo artesão.
Um brinde ao poeta Alberto da Cunha Melo
descendo as ladeiras de Olinda, posso ver.
Um brinde ao poeta que ao meu lado bebe, agora,
e isso não é mentira ou ficção.
Outro chope, garçom,
sentimos sede porque a realidade é fuga
e fugaz o tempo se apresenta,
sentimos sede porque a realidade é crua
e terríveis são seus desdobramentos,
terríveis feito a razão que contraria a fé,
a vida envolvida em mistérios
e essa vertigem que me toma a pena e me oferece este poema.
A garota no quadro segurando um gato é triste
como é triste a condição humana,
como é triste o horizonte que nos margeia,
contudo, não será capaz a noite de evitar o gênio,
pois não há por que temer destino semelhante ao de Héspero,
por isso essa Ode no ventre da noite,
esse copo de chope e o linguajar vulgar.
Seus poemas são os meus poemas, Alberto,
neles me reconheço e me edifico,
uma vez que o tempo gasto com inúteis procelas não nos alimenta
porque em essência somos feitos de suavidade e compaixão.
Eu sei não ser preciso este poeta,
este insignificante poeta eivá-lo de loas,
mas quiseram as Musas que fosse assim,
quiseram os anjos
e a pomba que pousou sobre os livros sagrados que fosse assim.
Ó alquimista de Casa Caiada,
mestre e desequilibrista da poesia brasileira,
próximo aos teus poemas não tenho horário
ou percebo o tempo esvair,
próximo aos teus poemas o momento é outro
e outras são as formas de existir,
próximo aos teus poemas tenho a lua, tenho os pélagos,
próximo aos teus poemas, Mestre, estou mais próximo de mim.
Agora vai, poeta, viaja no espaço que a despedida é dispensável,
leva consigo as nuvens e o silêncio da borboleta,
leva no coração os dias floridos
enquanto ficamos aqui, vivendo essa Casa Vazia.

         Gustavo Felicíssimo
         confira o artigo UM LUGAR AO SOL

 

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 Sennor Ramos, Raimundo de Moraes e Cícero Belmar